Jornalista
Lucélia Muniz
Ubuntu
Notícias, 05 de abril de 2026
@luceliamuniz_09 @ubuntunoticias @dofundodacaneca
Matheus Farizatto - Jornalista
com 20 anos de Comunicação para empresas | Estrategista de conteúdo na @canecacomunicacao | Escritor no @dofundodacaneca
A gente se condicionou a esperar o calendário para celebrar a vida. Espera a missa de sétimo dia para valorizar quem a gente tinha. Espera o Natal chegar para, então, doar. O aniversário para presentear.
A gente espera o domingo de Páscoa para falar de ressurreição. Mas, enquanto a
gente espera a data, o doce da vida vai amargando na gaveta da conveniência.
A Páscoa nos remete a Jesus e sua ressurreição, mas, pouco de fala da nossa
falta de vida fora das datas comemorativas.
Na minha percepção, tudo é colocado como transformações grandiosas (um homem
voltar da m0rte, a missa, a alegoria), mas, proponho que a gente olhe para as
pequenas ressurreições que a gente deixa de escolher e que nos fazem voltar a
viver sem toda essa encenação da paixão.
Falo sobre a coragem de deixar morrer o que não nos serve mais para que algo
novo possa, finalmente, respirar.
Caneca na mão? Então cata essa reflexão: por que a gente tem tanto medo das
nossas ressurreições diárias?
Ressuscitar no dia a dia é um ato de rebeldia contra a nossa própria
estagnação. É entender que, para eu evoluir, a pessoa que aceita migalhas de
atenção precisa morrer. Quem tinha medo de dizer não precisa ser enterrado. A
versão de você que se sente culpada por buscar a própria felicidade precisa desaparecer.
O problema é que a gente se apega ao cadáver dos nossos hábitos sustentados por
automatismo.
A gente carrega culpas, medos e mágoas como se fossem motivos de orgulho, sem
perceber que eles são o peso que nos impede de sair da tumba da vida boba.
Uma vida sem constante ressurreição é uma vida onde a gente evita a morte
simbólica de quem nós realmente somos.
É surreal ver o tanto de gente que prefere viver na tumba, sepultada, por falta
de coragem de descobrir o que tem logo ali depois de ela rolar a pedra que a
mantém no escuro da caverna.
Não existe renascimento sem alinhamento com quem somos, meu beyn. É assim que
você se torna capaz de reconhecer e se perdoar pelos erros, de voltar a viver
por abandonar aquilo já morreu faz tempo.
Se a vida é eterna, por que a gente insiste em parar o seu fluxo?
Ressuscitar é uma escolha de posicionamento. É decidir que o seu eu de amanhã merece um espaço que o seu eu de hoje está cansado de ocupar.
Neste domingo, meu convite é que a gente não espere a Páscoa, o Ano Novo ou sei
lá qual data para renascer. Quero muito que a gente aprenda a m0rrer um
pouquinho todas as noites para que possamos ressuscitar mais leves, mais
lúcidos e mais vivos todas as manhãs.
Renascer não precisa de batismo, roupa cara em recém-nascido ou mergulhos de
costas para a água, vestindo roupas brancas. Renascer é o trabalho silencioso e
sem público de rolar a pedra todos os dias.
(Obrigado por ler. Feliz Páscoa)








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