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05/04/2026

A ressureição que a gente ignora Por Matheus Farizatto

Jornalista Lucélia Muniz

Ubuntu Notícias, 05 de abril de 2026

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@matheusfarizatto

Matheus Farizatto - Jornalista com 20 anos de Comunicação para empresas | Estrategista de conteúdo na @canecacomunicacao  | Escritor no @dofundodacaneca

A gente se condicionou a esperar o calendário para celebrar a vida. Espera a missa de sétimo dia para valorizar quem a gente tinha. Espera o Natal chegar para, então, doar. O aniversário para presentear.

A gente espera o domingo de Páscoa para falar de ressurreição. Mas, enquanto a gente espera a data, o doce da vida vai amargando na gaveta da conveniência.

A Páscoa nos remete a Jesus e sua ressurreição, mas, pouco de fala da nossa falta de vida fora das datas comemorativas.

Na minha percepção, tudo é colocado como transformações grandiosas (um homem voltar da m0rte, a missa, a alegoria), mas, proponho que a gente olhe para as pequenas ressurreições que a gente deixa de escolher e que nos fazem voltar a viver sem toda essa encenação da paixão.

Falo sobre a coragem de deixar morrer o que não nos serve mais para que algo novo possa, finalmente, respirar.

Caneca na mão? Então cata essa reflexão: por que a gente tem tanto medo das nossas ressurreições diárias?

Ressuscitar no dia a dia é um ato de rebeldia contra a nossa própria estagnação. É entender que, para eu evoluir, a pessoa que aceita migalhas de atenção precisa morrer. Quem tinha medo de dizer não precisa ser enterrado. A versão de você que se sente culpada por buscar a própria felicidade precisa desaparecer.

O problema é que a gente se apega ao cadáver dos nossos hábitos sustentados por automatismo.

A gente carrega culpas, medos e mágoas como se fossem motivos de orgulho, sem perceber que eles são o peso que nos impede de sair da tumba da vida boba.

Uma vida sem constante ressurreição é uma vida onde a gente evita a morte simbólica de quem nós realmente somos.

É surreal ver o tanto de gente que prefere viver na tumba, sepultada, por falta de coragem de descobrir o que tem logo ali depois de ela rolar a pedra que a mantém no escuro da caverna.

Não existe renascimento sem alinhamento com quem somos, meu beyn. É assim que você se torna capaz de reconhecer e se perdoar pelos erros, de voltar a viver por abandonar aquilo já morreu faz tempo.

Se a vida é eterna, por que a gente insiste em parar o seu fluxo?

Ressuscitar é uma escolha de posicionamento. É decidir que o seu eu de amanhã merece um espaço que o seu eu de hoje está cansado de ocupar.

Neste domingo, meu convite é que a gente não espere a Páscoa, o Ano Novo ou sei lá qual data para renascer. Quero muito que a gente aprenda a m0rrer um pouquinho todas as noites para que possamos ressuscitar mais leves, mais lúcidos e mais vivos todas as manhãs.

Renascer não precisa de batismo, roupa cara em recém-nascido ou mergulhos de costas para a água, vestindo roupas brancas. Renascer é o trabalho silencioso e sem público de rolar a pedra todos os dias.

(Obrigado por ler. Feliz Páscoa)

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