Jornalista
Lucélia Muniz
Ubuntu
Notícias, 07 de abril de 2026
@luceliamuniz_09 @ubuntunoticias
As tranças nagô são penteados afro de raiz, rente ao couro cabeludo, com forte significado de resistência, ancestralidade e identidade cultural negra. Originárias de diferentes tribos africanas, historicamente serviram para indicar status social e, durante a escravidão, desenhavam rotas de fuga para quilombos e escondiam sementes.
No período escravagista, os desenhos das tranças funcionavam como mapas para os quilombos e indicavam rotas de fuga. Enquanto identidade ancestral remetem a pretos e pretas ancestrais, fortalecendo a raiz genealógica e o orgulho cultural.
Na África, os estilos de tranças podiam indicar a tribo de pertencimento, estado civil, idade ou status social. Hoje, é uma forma de afirmação da beleza afro e valorização da textura natural do cabelo, considerado um penteado protetor.
O termo "Nagô" refere-se ao dialeto Jejê, termo usado para falantes da língua Iorubá, com o penteado também sendo conhecido como irun didi ou kolese.
No contexto atual vale ressaltar a importância da valorização da beleza e estética negra. Sou de uma geração onde a falta de produtos e a estética se baseada na definição do padrão de estética dos brancos aliada a desinformação e falta de conscientização. Produtos químicos, chapinhas, escovas para alisar o cabelo, representavam o desenho do padrão ideal de beleza regrado pela ditadura da estética da beleza dos brancos.
Hoje existe salões de beleza e produtos de estética para atender pessoas negras e podemos assumir com orgulho, rompendo a ditadura da estética imposta pelo ideal de ‘beleza’ das pessoas brancas. Tranças, cachos e os mais diversos penteados tem estado presentes na valorização da cultura negra, sendo uma estética que resgata os próprios penteados usados por nossos ancestrais negros: símbolo de resistência, história e identidade.
Muitas conquistas têm guiado todo este processo. Uma delas é o da profissão de trancista, oficialmente reconhecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em junho de 2025, com a inclusão na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) sob o código 5161-65. Esta conquista valoriza a cultura afro, oferece segurança jurídica, direitos previdenciários e formalização para milhares de mulheres negras.
Faço as minhas tranças e penteados em Nova Olinda mesmo, município onde resido e de minha naturalidade. Comecei a usar tranças no @anasdetrancas especialista em tranças nagôs onde fiz uma Knotless Braids, faço tranças também com @trancistaevelyn_ (Box braids/ gypsy braids/ nagô/ ghana braids) e com Thuane Matos.








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