Ubuntu Notícias, 20 de setembro de 2026
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21 DE SETEMBRO: DIA DA ÁRVORE
José Roberto Morais
Eu nasci de uma semente
Cresci com sombra frondosa
Vivia sempre contente
Minha fruta era gostosa.
Porém, o tempo passou
Alguém veio e desmatou
Toda árvore aqui perto;
Eu fiquei sem proteção
Perdi minha nutrição
Neste solo de deserto.
Muitas crianças brincavam
Balançando nos meus galhos
De manhã alimentavam
As raízes com orvalhos.
Hoje vivo descontente
Sem amigo ou parente
Pois ninguém cuida de mim;
Nem sequer há mais sereno
Houve fogo no terreno
Chego perto do meu fim.
Queimaram minhas irmãs
Para fazer um roçado
Agora pelas manhãs
Sinto um calor arretado.
Antes ouvia seresta
As aves faziam festa
Pois eu tinha alimento;
Hoje sinto solidão
Sem inverno, só verão
Aumenta meu sofrimento.
Antes sombreava o chão
Convidava os animais
Que faziam diversão,
Algazarra e festivais.
Fui um rancho hospedeiro
Ouvi prosa de vaqueiro
Em busca de barbatão;
Na sombra que descansavam
Sentados logo aboiavam
E faziam a refeição.
Fui palco dos periquitos
Gola, sanhaçu e rolinha
Fui descanso de cabritos
Até chegar à tardinha.
Havia um rio correndo
Pelas pedras ia descendo
Com as águas cristalinas;
Depois da devastação
Eu vejo rachando o chão
Dessas terras nordestinas.
Procurando não encontro
Água para me manter
Estou só marcando o ponto
E não posso florescer.
Escuto a motosserra
Derrubando pela terra
As últimas sobreviventes;
Estão contados meus dias
Vivo só de nostalgias
Sinto chamas permanentes.
Já arranharam meu tronco
E desistiram em seguida
Mas ainda escuto o ronco
Da maldade desmedida.
Vão retirando a madeira
De cada irmã hospedeira
Sinto cada sofrimento;
Distante do Soberano
Aquele que diz “ser humano”
_________________
José Roberto Morais - Professor, poeta, cordelista e escritor araripense. Colunista da
Revista Sarau, Colaborador do Jornal Clube da Poesia e Membro Fundador da
Academia Cearense de Literatura de Cordel (ACLC). Autor dos livros: “50
Sonetos”, “Reforma Agrária e o Boi Zebu e as Formigas: uma análise
sociológica”, “Fantástico Mundo da Leitura”, “Veredas do Cordel” e “Retalhos do
Tempo”; e coautor em algumas antologias.




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