segunda-feira, 13 de março de 2017

COMO LIDAR COM A DISCALCULIA

 Diagnóstico precoce diminui a probabilidade de insucesso escolar

Causada por má formação neurológica, a discalculia pode ser descoberta logo nos primeiros anos de vida através da trajetória de aprendizagem e do desenvolvimento da criança com relação à tudo que está relacionado aos números.

Mas é preciso ficar atento, pois nem todas as crianças, gostam de contas e existe uma grande diferença entre quem acha matemática chata e difícil e quem sofre de um distúrbio.

Muitas vezes uma criança diagnosticada com discalculia é tratada como quem tem dificuldades gerais de aprendizagem, moderada, grave ou profunda. É difícil diagnosticar o distúrbio, pois nem sempre é visto como uma condição separada.

O profissional deve sempre fazer orientações gerais sobre as dificuldades matemáticas e, a partir daí, planejar as intervenções pedagógicas necessárias.

 Só é possível perceber traços de discalculia a partir da maturação neurológica compatíveis com a demanda matemática da fase em que a criança se encontra. Não se trata de um distúrbio que se percebe da noite para o dia.

A também chamada de discalculia de desenvolvimento é uma dificuldade de matemática, mas a diferença é que o que acontece é um transtorno da maturação nas habilidades matemáticas. Não é adquirida por essas falhas acima.

A discalculia implica em uma imaturação do sistema nervoso, é uma disfunção. Discalculia é um transtorno estrutural da maturação das habilidades matemáticas, as quais incluem as habilidades linguísticas, perceptuais e de atenção.

Não decorre de uma lesão cerebral, mas de disfunções neurológicas ou imaturidade das funções neurológicas, e está associada às dificuldades específicas no processo da aprendizagem do cálculo,  que se observam entre indivíduos de inteligência normal. Decorre de falhas na representação dos fatos numéricos, na execução dos procedimentos aritméticos e respectiva representação espacial, na impossibilidade de realizar cálculos mentais, de reconhecer a relação entre diversos conceitos e utilizá-los na resolução de situações-problema.

A discalculia é dividida em seis subtipos de dificuldade:
- Verbal: para nomear as quantidades matemáticas, os símbolos;
- Practognóstica: dificuldade para enumerar e comparar;
- Léxica: leitura de símbolos;
- Gráfica: a escrita de símbolos;
- Ideognóstica: realização das operações mentais e dos conceitos matemáticos;
- Operacional: execução das operações e cálculos numéricos.

Como a discalculia não é uma doença, e sim um transtorno, seu tratamento não é medicamentoso. Ele acontece através da ação após o diagnóstico multidisciplinar, focando num trabalho de tutoria do psicopedagogo com a criança, auxiliando-a a desenvolver ferramentas para lidar com os conceitos matemáticos.

A discalculia geralmente é percebida quando a criança começa a frequentar a escola. Na pré-escola, ela já pode ser percebida, mas no ensino fundamental quando a criança começa a vivenciar com mais frequência atividades que envolvem cálculos, contagem, noções de tempo, peso, etc.; os sintomas se tornarão mais evidentes.

Seu diagnóstico deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar que envolve vários profissionais de área de saúde: neurologista, fonoaudiólogo, psicólogo e psicopedagogo.

Cada escola lida com a situação de uma forma. Uma sugestão é que os alunos com discalculia sejam avaliados de forma diferenciada em outro período pelo próprio professor (Física, Química, Matemática). Esses alunos também podem sentar-se logo nas carteiras da frente para que os professores possam dar atenção mais individualizada e se possível são atendidos também no contraturno utilizando outras estratégias pedagógicas.
 
O aluno diagnosticado com discalculia não obrigatoriamente apresenta dificuldade em outras disciplinas e áreas. A dificuldade do aprendizado da matemática na discalculia é uma dificuldade específica no mecanismo dos cálculos e resolução de problemas.

No entanto, caso não seja diagnosticada a tempo, a discalculia pode comprometer o desenvolvimento escolar em outros aspectos também, pois o aluno discalcúlico, devido à sua limitação, pode adquirir o medo de enfrentar novas experiências de aprendizagem por desacreditar na sua capacidade. Pode também passar a apresentar problemas de conduta, tornar-se agressivo, apático ou desinteressado.

É comum que pais, professores e até colegas, por desconhecerem o que realmente acontece com o discalcúlico acabem abalando ainda mais sua autoestima com críticas e punições.

Roseli Brito
Pedagoga - Psicopedagoga - Neuroeducadora e Coach

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