quarta-feira, 7 de outubro de 2015

“Todo Dia é Dia de Índio”

Respeitar as diversidades e combater as desigualdades

Os povos indígenas Brasileiros assumem cada vez mais o papel de protago­nistas na construção de uma outra História, atuando em diversos campos de par­ticipação democrática, bem como na construção de políticas indigenistas, tratando de seus interesses sob uma perspectiva de luta traçada pelo reconhecimento dos direitos coletivos acerca do direito aos territórios tradicionais indígenas, da diver­sidade étnica e cultural e de uma ampla visibilidade as nossas formas próprias de organização social, costumes, crenças e tradições.

Os povos indígenas do Brasil, historicamente, têm sofrido violações de seus direitos. Como sabemos, a terra que hoje se chama Brasil, na época da chegada da colonização europeia, era povoada por aproximadamente seis milhões de indíge­nas, pertencentes a diversos povos, cada um com suas línguas e particularidades culturais diferentes. No entanto, a ganância dos “não índios”, em sugar toda ri­queza de nossas terras e de trazer impactos incalculáveis à nossa natureza, quase dizimou a população indígena brasileira. De milhões restaram poucas dezenas de milhares resistindo às mazelas da sociedade, esta, por sua vez, agindo mediante ganâncias individuais para justificar a truculência cometida contra nossos povos em nome do “Progresso”.
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O direito à diferença foi, sem dúvida alguma, o aspecto mais abalado, tendo em vista todas as intervenções negativas que os europeus realizaram. Por conta de nossos povos cultuarem “deuses” diferentes da sociedade ocidental e de não seguirem o padrão religioso dos colonizadores, nos taxaram de animais ou seres desalmados. Por não vivermos definindo tarefas cotidianas da época sob o tempo cronometrado e por tirarmos da natureza não mais do que seria necessário para o sustento de nossas aldeias, nos taxaram de preguiçosos.
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Os vários mecanismos de extermínio contra os indígenas no Brasil foram di­versos e a não aceitação, por parte dos indígenas, das imposições trazidas por um novo sistema de organização, coordenado por Portugal, impulsionou a persegui­ção e a dizimação de diversas nações indígenas constituídas.
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Assim sendo, consideramos os conflitos armados um dos mais importantes instrumentos que causaram o genocídio e etnocídio contra nossos povos.
Tirar nossos povos de seus locais de origem e iniciar um processo de delimitação de seus espaços de ocupação, de forma repressora, tornando-os reduzidos, subtraiu de nossos povos parte de nossas identidades.
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Diante de todas as informações coletadas até o momento atual e da trajetó­ria vivenciada pelos resistentes povos indígenas brasileiros, não podemos admitir que a História oficial do Brasil, contada como pano de fundo, possa excluir os verdadeiros donos da terra e principais protagonistas da história do País, já que inúmeras pesquisas arqueológicas produzidas, no Brasil, assinalam a ocupação do território brasileiro por populações paleoíndias há mais de 12 mil anos.
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Ricardo Weibe Nascimento Costa (Weibe Tapeba)
Respeitar as diversidades e combater as desigualdades. Fascículo 2 – Todo dia é dia de índio. / Geovani Jacó de Freitas, Ivo Sousa, Max Maranhão Piorsky Aires, Ricardo Weibe Nascimento Costa. – Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora Ltda., 2009.

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