Jornalista
Lucélia Muniz
Ubuntu
Notícias, 30 de agosto de 2026
@luceliamuniz_09 @ubuntunoticias @williany_ferreira_
Meu nome é Francisca Williany Ferreira Lima, tenho 27 anos, sou natural de Crato, Ceará, e atualmente resido em Jardim-CE. No entanto, fui criada na cidade de Altaneira-CE, onde construí toda a minha trajetória escolar.
Sou filha de Maria Clara Bezerra e Cícero Ferreira Lima, ambos agricultores. Venho de uma família simples, mas carrego comigo uma história construída com muito esforço, determinação e sonhos que, aos poucos, foram ganhando forma.
Cursei o Ensino Fundamental nas escolas Joaquim Rufino de Oliveira e 18 de Dezembro, em Altaneira. No Ensino Médio, iniciei meus estudos na Escola Estadual de Educação Profissional Wellington Belém de Figueiredo, em Nova Olinda-CE. No entanto, devido à necessidade de me deslocar diariamente para outra cidade, precisei interromper meus estudos na instituição e retornar para Altaneira, onde concluí o Ensino Médio na Escola Santa Teresa.
Meu ingresso na universidade aconteceu por meio de vestibular. Escolhi cursar Letras – Língua Portuguesa, na Universidade Regional do Cariri (URCA).
A escolha do curso foi, acima de tudo, uma questão de vocação. Desde criança, eu já demonstrava interesse pela educação e costumava brincar de escolinha com minhas primas. De alguma forma, o desejo de ensinar e de contribuir para transformar a vida das pessoas através da educação sempre esteve presente em mim.
Ao longo da minha trajetória, esse desejo foi se fortalecendo ainda mais. Meu companheiro, Alexandre, já atuava como professor e, ao acompanhá-lo em sua rotina e observar de perto a forma como ele ensinava, lidava com os alunos e vivenciava a profissão, passei a me identificar ainda mais com a área da educação. Ver o trabalho dele e a maneira como o ensino pode contribuir para a transformação na vida dos estudantes despertou em mim ainda mais vontade de seguir esse caminho.
Além da realização de um sonho pessoal, cursar uma graduação também representava a oportunidade de transformar a realidade da minha família e proporcionar um futuro melhor para minha mãe. Sou a primeira mulher da minha família materna a conquistar o Ensino Superior, dando continuidade aos sonhos e à trajetória de mulheres que vieram antes de mim e que, por diferentes circunstâncias, não tiveram as mesmas oportunidades.
Minha trajetória acadêmica, porém, esteve longe de ser fácil. Entre o quarto e o quinto semestre da graduação, perdi meu pai. Pouco tempo depois, minha mãe sofreu um acidente e precisou passar um longo período hospitalizada. Foi um dos momentos mais difíceis da minha vida, pois precisei conciliar as aulas da faculdade com as idas ao hospital e os cuidados com ela.
Quando minha mãe já estava em processo de recuperação, enfrentei mais um desafio: precisei me submeter a uma cirurgia e permanecer um período afastada das atividades presenciais para me recuperar. Mesmo assim, continuei realizando as atividades acadêmicas em casa e fazendo o possível para não deixar que aquele momento interrompesse a minha caminhada.
Foram perdas, preocupações, momentos de dor e situações que poderiam ter me feito parar. Mas eu escolhi continuar.
Sempre enxerguei cada obstáculo não como um ponto final, mas como uma razão para lutar ainda mais. Aprendi, durante a graduação, que chegar até o fim não significava apenas concluir um curso, mas provar para mim mesma que eu era capaz de continuar mesmo quando a vida tornava o caminho mais difícil.
Durante a universidade, também tive a oportunidade de participar do PIBID – Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, como bolsista de iniciação à docência. Essa experiência foi fundamental para minha formação, pois me aproximou ainda mais da sala de aula e confirmou que eu estava seguindo o caminho que realmente desejava.
Hoje, já atuo na minha área de formação há aproximadamente dois anos e meio. Ao longo desse período, tive experiências tanto na rede pública quanto na instituição privada. Já trabalhei na rede estadual de ensino e, atualmente, atuo em uma instituição privada, exercendo a profissão que escolhi e que sempre fez parte dos meus sonhos.
Concluir a graduação, para mim, significa muito mais do que receber um diploma. Significa olhar para trás e reconhecer cada dificuldade que enfrentei, cada lágrima, cada momento em que precisei ser forte e perceber que nada disso foi capaz de me impedir de chegar até aqui.
Meu diploma carrega uma história. Carrega a memória do meu pai, a força da minha mãe, os sonhos das mulheres que vieram antes de mim e a menina que, um dia, brincava de escolinha sem imaginar que aquela brincadeira se transformaria em profissão.
Aos jovens que estão concluindo o Ensino Médio e sonham em ingressar na universidade, eu diria: não tenham medo de sonhar, mesmo que o sonho pareça grande demais para a realidade em que vocês vivem.
Não permitam que a origem de vocês determine o destino de vocês. Talvez o caminho seja difícil, talvez vocês precisem recomeçar, mudar de rota ou enfrentar situações que não estavam nos planos. Mas isso não significa que vocês precisam desistir.
Eu aprendi que nem sempre podemos escolher as circunstâncias que encontraremos pelo caminho, mas podemos escolher se continuaremos caminhando.
Estudem, persistam e acreditem em vocês. A educação pode transformar a vida de uma pessoa e mudar a história de uma família inteira. Se eu pudesse deixar apenas uma mensagem, seria esta: não desistam de vocês mesmos. O lugar de onde vocês vêm não limita o lugar onde podem chegar.
E, quando finalmente chegarem lá, lembrem-se de olhar para trás e
reconhecer o quanto precisaram lutar para chegar até aquele momento. Porque
algumas conquistas não cabem apenas em um diploma - elas carregam toda uma
história.












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