Ubuntu
Notícias, 17 de julho de 2026
@luceliamuniz_09
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@profreginaldovenancio40
Há casas cheias de retratos,
Mas quase vazias de ouvir;
Há tantos silêncios nos quartos
Que ninguém consegue traduzir.
Uma criança chama baixinho,
Temendo a noite e a solidão;
E encontra, no calor de um ninho,
A paz de outra respiração.
Um filho deseja partir,
Jurando não mais regressar;
Mas leva consigo, ao fugir,
A casa inteira no olhar.
Por trás de cada rebeldia,
Há um pedido de atenção;
Quem grita por autonomia
Também procura proteção.
Os pais parecem muralhas,
Distantes na compreensão;
Mas trazem antigas batalhas
Escondidas no coração.
Também foram frágeis crianças,
Com medo de não conseguir;
E guardam, por trás das cobranças,
Sonhos que não puderam cumprir.
Os filhos perguntam ao mundo
Por que há tristeza e temor?
Por que o céu é tão profundo?
Por que se transforma o amor?
Não há resposta perfeita
Que cure o espanto de existir;
Mas toda pergunta aceita
Ensina dois seres a ouvir.
Quantas palavras feridas
Podiam virar perdão;
Quantas distâncias erguidas
Cabiam num simples “não”.
A vida não guarda o momento
Para um abraço que se adiou;
O tempo atravessa o sentimento
E leva o que não se falou.
Amemos enquanto há caminho,
Enquanto se pode voltar;
Quem hoje nos pede carinho
Talvez amanhã vá voar.
Pais e filhos são viajantes
Na mesma imperfeita estação;
São frágeis, humanos, errantes,
Aprendendo juntos o amor e o perdão.
Reginaldo Venancio - Reginaldo de Sousa Venâncio é Escritor, Poeta e Professor. Natural de Altaneira-CE, filho de Maria Hilda de Sousa Venâncio e José Venâncio Filho. É amante da Literatura de Cordel, escreve e aprecia poesia popular, tendo como maior inspiração o Poeta Popular - Patativa do Assaré. Ocupa a Cadeira 11 da Academia de Letras do Brasil/Seccional Regional Araripe-CE onde representa o município de Altaneira.








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