Jornalista
Lucélia Muniz
Ubuntu
Notícias, 12 de abril de 2026
@luceliamuniz_09 @ubuntunoticias
Prof.
Dr. Mário Carabajal - Escritor, crítico literário, Especialista em Pesquisa
Cientifica, Mestre em Relações Internacionais, Doutor em Ciências Educacionais,
Pós-Doutor em Filosofia. Presidente da Academia de Letras do Brasil 'Da Ordem
de Platão'
1.
"Ouça a todos, mas preserve sua voz" (Shakespeare)
Observamos ser o excesso de reserva uma forma de manipulação ou
covardia.
Ao ouvir tudo e nada dizer, o indivíduo assume uma postura de 'espectador da vida'. A omissão impede a vulnerabilidade, e sem vulnerabilidade não há conexão real. Manter a voz 'preservada' pode se transformar em um silêncio arrogante que nega ao outro o direito de nos conhecer, tornando a relação unilateral e desonesta.
2.
"Seja fiel a si mesmo" (Shakespeare)
Tal conceito, sem aprofundamento crítico, pressupõe o "self" como uma entidade
estática e inerentemente boa.
Ora! Se o nosso 'eu' for egoísta ou cruel, ser fiel a si mesmo torna-se uma justificativa de evolução ao narcisismo. A busca por uma "essência" imutável, do próprio Platão, sem a crítica moderada, pode impedir a evolução. Eventualmente, para crescermos, exigimo-nos, justamente, romper ou mesmo trair quem fomos para abrir caminhos a quem podemos ser. Como exemplo grosseiro, imagine, alguém com extrema dificuldade financeira e preservando, no quintal, um carro velho, quase sucata, por 'amor' ao que representou no passado, sem coragem de vendê-lo, para dar início ou impulso a um novo momento à vida...
3.
"Assuma o protagonismo da sua história" (Shakespeare)
Não somos, não podemos e não nos é facultada a instância de protagonismo pleno de nossa história. Shakespeare ignora, omite ou fantasia o peso esmagador das estruturas sistêmicas.
Inequivocamente não deve-se admitir o extremo contrário de 'deixar a vida nos levar'. Mas crer no protagonismo absoluto gera recorrentes frustrações, uma vez que os sistemas no quais encontramo-nos inseridos encarregam-se de refutar tal assertiva. Inspiradora certamente, não fosse flerte deste pensamento com o voluntarismo ingênuo. Nem todas as circunstâncias externas podem ser vencidas apenas pela escolha individual. Atribuir todo o peso do destino ao "protagonismo' pode vir a gerar uma culpa paralisante, sobretudo naqueles que são vítimas de tragédias sociais ou biológicas que fogem ao pseudocontrole do arbítrio. Do macro ao micro como existem leis e ordens, sistemas e comportamentos de assimilações outras de interesses e ordens distintas, eliminando este protagonismo sem considerar as influências de ordens sistêmicas interdependentes.
4.
"Cultive a humildade de saber que ainda pode se tornar"
A humildade 'em si' sem a correlata consciência das capacidades adquiridas dominadas e competências de comprovados resultados, levaria a uma insatisfação perpétua, mantendo o ser em um mundo futuro de expectativas, sem o prazer das conquistas no 'aqui e agora' - importantíssimas à retroalimentação edificante dos múltiplos estágios indispensáveis à construção dos ideais.
O foco excessivo no "vir a ser" no futuro, pode desvalorizar o 'ser' no presente. Não podemos nos manter em estado permanente de rascunho de uma obra inacabada, sem permitir-nos a sensação de plenitude, conciliativa-agregadora de nossos esforços, como se insuficientes fossemos, sem a necessária auto valorização, tanto de conquistas pessoais, quanto daquelas em contribuição à construções coletivas... Nesse sentido de imperfeição permanente, a humildade se faz em uma armadilha de autoconhecimento, sem jamais permitimo-nos habitar nossas próprias conquistas.
5.
"Use a adversidade como caminho, não como obstáculo"
A humanidade costuma romantizar o sofrimento. Colocando, até mesmo, diante aos seres, exemplos de elevado sofrimento, como caminho à conquista de dado grau, condição ou elevação existencial. Enquanto, de fato, nem toda queda ensina. Algumas, ao contrário, apenas mutilam. Afirmarmos que a adversidade é sempre um caminho, pode validar abusos, aceitar o mal ou injustiças como 'lições de vida' necessárias ao alcance de um evoluir particular e único. Há dores que são puramente destrutivas e não trazem ou resultam em sabedoria, senão de evitação e exemplo a ser evitado... Exigir-se que a vítima extraia 'valor' de tais experiências, de grande sofrimento, constitui-se em uma forma de violência intelectual. A superação decorrente, faz-se excludente a necessidade do mal à sua conquista.
Nossa análise, por força do comprometimento 'Da Ordem de Platão' busca por uma ética mais ativa e responsável. Shakespeare, escrevia, em seu tempo, mais voltado para o teatro, focando, em especial, o conflito. Cabe-nos, enquanto pensadores de um outro tempo e, em essência 'Da Ordem de Platão' adotarmos bases filosóficas, não apenas em busca de uma sabedoria meramente poética... Mas, isto sim, focada em um saber pleno, humano e prático, de aplicação em um palco real, onde as palavras sabidamente repercutem sobre a vida, exigido-se-nos filtrar esse pragmatismo equivocadamente absorvidos e validado pelos amantes de Shakespeare, sem a indispensável e responsável crítica, elevando a escrita, do 'teatro à vida' evitando-se a adoção da indiferença e ou isolamento. Variáveis estas que conduzem à distorções repercutivas alo e auto consequentes de imensuráveis desdobramentos, em elos exponenciais de incertezas e descaminhos.
Nossa análise foca em um ponto crucial, em nosso ver, de necessidade, por compreender um limite tênue, porém distante entre o que resulta na adoção da prudência e ou da omissão. Ao analisar essas máximas - algumas extraídas dos conselhos de Polônio em Hamlet - percebemos que Shakespeare, em suas bases de escrita, alimentava personagens que ofereciam conselhos pragmáticos à sobrevivência social. Todavia, estes, se submetidos a uma mais exigente lente ética, sob a Ordem de Platão, e se conduzidas à época moderna ou existencialista, revelam graves fissuras.
Observe-se nossa pretensa mas comprometida análise crítico-construtiva, desenvolvida sobre o que consideramos 'pontos fracos' de cada base conceitual, por nos eleitas, por considerar, tais 'assertivas' engenhosamente perigosas ou mesmo enganosas ao evoluir humano, sem a devida crítica.
Shakespeare era mestre em mostrar que a sabedoria humana é cheia de contradições. Ao nosso temo, muitas destas contradições podem encontrar amplitude nos conceitos por Shakespeare enunciados. Suas "lições" são, muitas vezes, armadilhas retóricas dos próprios personagens.
Nesse sentido, a natural exposição, sem reservas preservativas de
status e posições sociais, mútuas, em diálogos de caráter verdadeiramente
humano-evolutivos, dentre os quais pode-se incluir também a busca da sabedoria
e verdade, mesmo em instâncias científicas, faz-se em dever ético,
transformando o 'silêncio de prudência' em "diálogo, argumento,
embasamento, teoria, tese e antítese, e a 'fidelidade a si mesmo, de
isolamento' em "autenticidade, hipótese e busca compartilhada". O que
nos leva ao movimento de sair da plateia omissa ou repercutiva e assumir a
responsabilidade pelo 'impacto' que virmos a causar no outro, nas ciências e na
vida, sem omissões e meias verdades, expressas como se verdades finais fossem.








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