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03/03/2026

Como os pequenos laços que construímos tornam o nosso universo gigante | BAÚ DE MEMÓRIAS

Jornalista Lucélia Muniz

Ubuntu Notícias, 03 de março de 2026

@luceliamuniz_09     @ubuntunoticias

Geralmente quando se fala em laços no processo de socialização temos os laços humanos, a interação social, a formação do nosso ser... Mas, para mim esses laços são feitos de vivências e por isso resolvi retirar algumas memórias de um baú e trazê-las em forma de narrativas. Talvez a velocidade das minhas lembranças não caiba em um texto, num livro, num vídeo, num slide, mas sigo contando histórias.

Eis aqui mais uma das histórias onde meu pai e eu protagonizamos uma vivência. Ele gostava de criar cavalos e era por assim dizer, um domador destes animais, não era bem um encantador, mas com seu jeito rude os domava e os treinava para corridas, para carregar cargas, para passeio.

Não lembro bem como aconteceu a aquisição de ‘preto’. Ele era um cavalo já com idade avançada, mas formoso e ‘troteador’. Por sua condição, foi destinado para o grupo dos animais que carregavam cargas, mas por algum motivo se tornou o cavalo favorito de uma criança.

Ela ia até o roçado o chamava pelo nome e ele vinha. Não usava cabresto para ir buscá-lo. O encostava num tronco pequeno de uma mangueira, subia nele e cavalgava até em casa. Ele a carregava em seu dorso, ela segurando em suas crinas longas, dava passadas como se trotasse sobre capuchos de algodão. E dali surgiu uma amizade entre uma criança preta e um cavalo preto.

Trabalhávamos na roça pela manhã e no início da tarde íamos até a escola, retornando apenas à tardinha.  Papai, agricultor, domador de cavalos, vivia entre negociações e aquisições de animais. E se percebesse que nos apegávamos aos animais os vendia no horário em que estávamos na escola.

Ele considerava preto, velho e que não servia mais para carregar as cargas e assim o vendeu. Foi um choque quando notei sua ausência. Mamãe como sempre, dava a notícia e pedia para que não chorássemos na frente de papai. Ela costumava usar um ditado popular: “Vão-se os anéis, ficam os dedos!”

Não sei quem foi o comprador de preto nem seu destino, mas através do uso da Inteligência Artificial (IA) o recriei com uma versão minha adulta.  Hoje se fala que o contato das crianças com os cavalos é uma forma de terapia, posso apenas dizer que era um laço, parte da minha infância. Com preto descobri que os cavalos sabem nadar! Quando o levei para dá água em um açude e estava muito calor, este acabou entrando na água e nadando comigo em seu dorso, não desci, porque não sei nadar. Sim...cavalos sabem nadar!

Moral da história: pequenos laços que construímos ao longo da nossa vida, tornam o nosso universo gigante! Preto, obrigada por salvar minha infância, por ser a minha terapia mesmo quando eu não sabia! Preto, te desejo um horizonte dourado florido com girassóis!

“A relação entre cavalos e crianças é uma conexão poderosa que promove o desenvolvimento emocional, físico e social, fomentando responsabilidade, confiança e empatia”.

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