Ubuntu Notícias, 24 de fevereiro de 2026
@luceliamuniz_09 @ubuntunoticias @marya_elihanna
Por Maria Eliana de Lima
Associação Cristã de Base-ACB
Graduada em História pela Universidade
Regional do Cariri-URCA com Especialização em Teoria e Metodologia da História
pela URCA.
Em 25 de fevereiro de 2015 foi instituída a Lei 13.086 como sendo o "Dia da Conquista do voto feminino no Brasil" o termo "conquista" faz jus ao engajamento das mulheres em diversas forças de luta e ações em contexto político organizativo, coletivos, sindicais, comunitárias, estudos e muito mais...
Assim, é importante lembrar, que o voto feminino foi reconhecido em 24 de fevereiro 1932 através do decreto 21.076, mas, somente em 1933 mulheres puderam votar e ser votadas, foi incorporado à Constituição de 1934, porém, facultativo e somente em 1965 tornou-se obrigatório.
Faz-se necessárias algumas reflexões levando em consideração estas datas. Primeiro, são datas significativas que descortinam a História e mostram caminhos, processos políticos e organizativo das mulheres em diversas frentes de militância, ações e lutas.
Segundo, compreender o nível de organização e quais pautas demandavam a partir da ausência de políticas para as mulheres, principalmente no exercício político de votar, ser votada e influenciar.
Terceiro, na década de 1920 aconteceram diversos movimentos "chamados de contestação" contra o sistema político e cultural do Sistema vigente, numa época que aconteciam mudanças urbanas, econômicas e políticas.
Nessa conjuntura que mulheres ativas militando em diversos espaços de organização política, cultural, comunitária, negro, criação da Liga internacional da mulher sempre em busca da acentuação feminina desde denúncias a reivindicações sócio, político, cultural, educação, reconhecimento.
Ressaltamos aqui a organização permanente e influente das mulheres negras, (que já vinha desde a época colonial) e intensificou-se, no século XIX fortalecendo-se nesta época através de associações recreativas, imprensa negra, cultural por meio de denúncias, contra o racismo da sociedade branca, contra o machismo e desigualdades sociais, de classe e raça, estudos e pesquisas e até hoje orienta, digo, é referência para o movimento feminista negro, ONGs, movimentos sociais e cultural.
E hoje? O que diz esta data para as mulheres?
Nestes 94 anos, aconteceram muitas transformações e mudanças significativas resultados da luta das mulheres, quer brancas, negras, indígenas, mulheres das águas e das florestas, da cidade e do campo, LGBTQI+
São muitas conquistas, mas nunca esquecer que todas essas conquistas foram possíveis através dessas (destas) muitas lutas e até de tombamentos por questões de lutas, políticas, por terra, por posicionamento, por sexismo, machismo "feminicídio", misoginia e tudo isso amparado por esta sociedade patriarcal, de classe, raça e gênero.
Estamos em 2026, ano eleitoral onde elegeremos um(a) Presidente(a), deputados(as) federal e estaduais senadores(as).
E quanto, nós mulheres, hoje, somos representadas nestes espaços?
Na Câmara de deputados federal, de 513 cadeiras, apenas 17,7% estão ocupadas por mulheres, ou seja, 91 mulheres. No Senado, cerca de 20%, do total de 81 senadores(as), 16 são mulheres.
E representação das mulheres negras 1% a 2% no Congresso Nacional.
E nas Assembleia Legislativas, cerca de 18% em todo Brasil.
E aqui, dispensaremos falar da quantidade de prefeitas, vereadoras e presidentes de Assembleias Legislativa em todo Brasil.
O que essa conta significa?
É uma referência importante para repensarmos nossa trajetória tanto na condição de eleitores e eleitoras, bem como de militância político na condição de militância e candidatas para estes espaços.
Dois movimentos para
reflexão:
O primeiro, é muito importante a representação popular e de luta dessas mulheres, que sejam voltadas para as reais situações da diversidade e adversidades das mulheres e da classe trabalhadora.
E ainda ter conexão com as políticas que de fato mudem e transformem vidas sob desenvolvimento econômico, mas, coletivo, comunitário, solidário, ambiental e perspectivas social, saúde, educação, etc.
E quais conexões entre a luta atual das mulheres à luta das mulheres da década de 1920?
Reconhecer quem veio antes, respeitar e sempre trazê-las à memória enquanto História, referência de sonhos e esperanças!
São 94 anos e vê que para transformações acontecerem é um processo permanente.
São diversas barreiras que pautam desafios. É preciso pensar uma sociedade que paute interseccionalidade de classe, raça, gênero, territórios, cidadania, Bem Viver: Sustentabilidade econômica e de vida.
A Associação Cristã de Base, nesses 43 anos de ação na região do Cariri com extensão à outros Estados do Nordeste traz, nas suas elaborações, a luta por transformações tendo como missão "contribuir com as comunidades no exercício da cidadania para a convivência com o semiárido" e neste contexto entendendo a dinâmica de muitas mulheres do campo, participativas, militantes contribuindo através dessas lutas e quintais produtivos de mudanças significativas.
E viva as mulheres com sua
diversidade, ações e lutas do campo e da cidade, bem como político e condição
militante das mulheres periféricas, trabalhadoras, sindicais!








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