segunda-feira, 26 de outubro de 2020

NÃO MOLESTEM FORTALEZA – ELA É MULHER Por Antônio Hélio da Silva

Lucélia Muniz

Ubuntu Notícias, 26 de outubro de 2020

@luceliamuniz_09 @ubuntunoticias @agenciaclick__

Por Antônio Hélio da Silva – Poeta e Jornalista

Boa noite nobre poeta

das enchentes empoeiradas de Fortaleza.

Aliás, poetas todos desta metrópole que amo.

Fortaleza, esta mulher desnuda de probidade e segurança.

Está mais serena?

É a Fortaleza de Girão Barroso e Jamile Sousa.

Alguns dos seus rebentos

têm mesmo coragem

de incendiar a musa da Assunção?

Como incendiar a própria mãe?

Mulher linda, acolhedora!

Com lábios cheios de brilhos  

a resplandecer reluzindo do mar

banhada pelo imenso Atlântico.

Atlântico que resgatou Ulysses

sem gemido, sem dor.

Que maldade com a capital do amor!

 

Seus poros ambulantes são queimados

para não transpirar progresso

a transliterar atraso do estado

cuidador promíscuo da princesa do mar.

 

Oh Rainha da beleza!

Se pudesse redestinar teu orçamento

e gerenciar tuas ondas magnéticas

que leva ordem de destruição

aos escravos das ilicitudes.

 

A filha do Ceará está com a pele ressecada

do calor dos fachos inflamáveis

a desnudar as moças filhas da praia futura

e do Mucuripe que arrimou

a “virgem dos lábios de mel”.

 

Oh Alencar criativo!

Protege teu espaço de criação.

Não deixes que o necessário Estado de Exceção

comece no lugar

onde a flecha sobrevoava capins

mirando o brechador de Iracema.

Este espaço é clássico e sagrado.

Somente o sol pode queimar a pele

das donzelas portando celulares

distraídas dos flertes

dos príncipes caririzeiros cearenses e paraibanos.

 

Mucuripe!

Oh Mucuripe!

Toma as dores de tua deusa

e em leve tsunami

mostra teu poder aos incivilizados.

Leva os para teu interior.

Conta até dez e os traz de volta

sãos e salvos só não da justiça.

 

Não deixes que o rádio e a TV

veiculem sangue humano

apresuntado de fumaça

aos interioranos amedrontados do terror.

 

Ceará, olha com redenção tua primogênita filha.

Esconde os transgressores

nas asas da justiça falha.

Justiça farta de corruptos

Rara de honestos.

 

Homero...

Por que não voltas para convencer

com Ilíadas e Odisseia

teus ainda poucos leitores

a viverem harmoniosamente

sob a égide do amor e da liberdade.

Com justiça social diferente do que se apregoa.

E que seja ela com liberdade feita pelo trabalho

com mercado amplo

acolhedor do operário.

 

Mas me diga, poeta Deusimar Rodrigues.

Como está a guerra aí?

A mulher Fortaleza como vai?

Ah Fortaleza Bela!

As vezes repleta de lixo!

Quem te ama não te despreza.

Só te venera.

    

Se teu chão fosse pegital

para lermos as impressões dos teus filhos todos

e não houvesse calos nos peitos dos pés

nem nos calcanhares ruídos pelas pedras.

Pedras, toscas pedras

produzidas e temperadas pelo tempo.

As pedras toscas

nas sendas dos ocupados de braço e mente. 

As diferenças de ti, pedras

para os paralelepípedos embolsadas.

Reclamas tu oh mulher de salto!

Com prudência.

O dinheiro do teu salto pode ser da diferença

e tu não sabeis.

E poderá servir para na torsão do teu calcanhar

que enroscou no talho da pedra

feito por Miguel na poeira da talhadeira:

Para comprar o enfaixamento de gipsita.

A pedra enquinada

que arrancou a unha do menino descalçado

menino que pediu pão ao cidadão pai

e este o mandou para a Fundação Casa

A FEBEM desafeitada.

Cantada pelo Padre Zezinho:

Manda Pra FEBEM.

 

Poetas do meu Ceará.

Juntem-se a Deus (i mar)

Cantemos e decantemos

nossa “mulher grávida” – Grave.

 

Música e poesia

ainda salvará

o nosso Ceará?

 

Poema escrito em 06.01.2019,

quando incendiavam ônibus, outros transportes e bens da capital.

 

Araripe – Ceará, 23 de outubro de 2020.         

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