terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Crônica sobre LEONIRA TRAJANO DE MATOS Por Luciana França

Lucélia Muniz
Ubuntu Notícias, 07 de janeiro de 2020
Por Luciana França
Professora regente da Biblioteca da EEEP Wellington Belém de Figueiredo. Cadeira 17 da Academia de Letras do Brasil/Seccional Araripe-CE
Em 1924 nascia no Sítio Patos, município de Nova Olinda, Leonira Trajano de Matos. Filha do casal João Trajano de França e Ana Rosa de Lima. Proveniente de uma família de 09 irmãos. No dia 18 de janeiro daquele ano nascia a esposa de Eugênio Gomes de Matos. Mãe de 08 filhos: Souta, Miguel, Antonio, Maria, José, Ana Maria, Antonio Hildo e Cidália.
Após contrair matrimônio com Eugênio veio morar no Sítio do Meio. Ambiente típico do sertão, mas um lar fértil, constituído no respeito, na solidariedade, no acolhimento, no amor, na alegria, sabedoria e fé. Valores essenciais e presentes aos que frequentavam a casa de Eugênio e Leonira. Um casamento sólido que teve a oportunidade de celebrar Bodas de Ouro. Na ocasião, Eugênio já estava com a saúde frágil. (...)
Podemos citar Leonira como um grande exemplo de mulher, de esposa, mãe que sabia enfrentar as dificuldades com sabedoria e fé. Muitos foram seus ensinamentos aos que conviveram com ela.

E isso, despertava aos que a conheciam, mesmo não tendo laços sanguíneos, mas a vontade de fazer parte, de ser parte da família da amada Leonira. Muitos são os tratamentos: Leonira, mãe, vó Leó, Tia Leó, comadre Leó, madrinha Leó, dona Leó.

Uma grande mulher que temos como símbolo de resistência, de superação, de perdão. Que criou seus filhos e filhas na retidão de caráter, com toda sua nobreza de coração. Um ser humano de luz que tinha todo zelo com os mortos, sempre dispondo de tempo para erguer as mãos em oração pelos que descansam na eternidade.

No dia 27 de dezembro de 2019, aproximadamente às 22 horas, cessou a sua voz tão cheia de sensibilidade que, em suas conversas e orações, nos tocava, ensinava e encantava. Aquela de grande devoção a Maria. Mesmo com a saúde fragilizada há alguns anos, a família foi tomada de emoção, pois não conseguia imaginar o momento de não tê-la mais entre nós.

Naquele momento de dor para a família, partiu serena, enquanto dormia. A matriarca da família França, deixava todo um ensinamento na sua vida terrena e fora viver a sua vida espiritual, junto a Jesus.

A oração da Ave Maria haverá sempre de nos remeter a sua memória, entre outras tantas rezadas com fervor e devoção. A realização de eventos religiosos, suas belas lições, que tanto mexiam com a sua e a nossa emoção. Entre esses grandes eventos estavam as novenas e coroação de Maria e a renovação, que ano passado completou 73 anos de consagração ao coração de Jesus e Maria.

Diante da sua partida, somos tomados pelo pensamento de quando morre alguém extraordinário: “Existem mulheres que jamais deveriam morrer.” Mas, pensando bem, qual a grande mulher que morre, realmente? Todas elas deixam rastros de luz em nossos caminhos e, assim, vivem para sempre. 

Sentiremos muito sua falta, mas pode ter certeza que, também, nos tornamos pessoas melhores e crescemos muito como ser humano, diante da sua simplicidade, provavelmente, nem sabia que iluminava a vida de tantos.

E, como diz o Pe. Fábio de Melo, brincando com o poema de Drummond: “A festa acabou, a luz apagou e, agora, é você e Deus”. E Deus, certamente, gostará de ter em seu regaço uma grande mulher, uma filha muito amada, que soube perseguir a sua Luz e dignificar a família.

Agradecemos a todos, as condolências prestadas a família, nesse momento de dor que se estende pelo cotidiano.

Escreveu Luciana França.

6 comentários:

  1. Obrigada luciana,por tanta sabedoria e conhecimento,somos muito grata a você pelo o carinho e por descrever tão bem quem foi mamãe.

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  2. Belíssimo texto, capaz de fazer reviver momentos em minha memória e certamente dos irão ler e tiveram a companhia de Vó Léo em algum momento de sua vida! Muitas saudades fica a nós, mas certeza nos acalenta que um dia nos encontraremos no céu! Descanse em paz!

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  3. Parabéns pelo texto. Ilustrou com propriedade as memórias que tenho de Tia Leó. E é bem verdade que uma mulher nunca morre. Ao contrário, deixa seus rastros de luz sobre a terra. Seus filhos que dela um pouco carregam.

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  4. Parabéns pelo texto. Ilustra com propriedade algumas de minhas lembranças de Tia Leó. E é bem verdade que uma mulher nunca morre. Ao contrário, deixa seu rastro de luz sobre a terra. Seus filhos que dela um pouco carregam.

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LUCÉLIA MUNIZ FRANÇA
Blogueira, Professora e Microempresária. Membro da Academia de Letras do Brasil/Seccional Araripe-CE, Cadeira nº 35 que tem como Patrona a Professora e Artesã - Maria Constância da França Muniz. Bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Regional do Cariri-URCA com habilitação em Matemática. Especialista em Matemática e Física pela Faculdade de Juazeiro do Norte-FJN.