segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Esta é a Myrian Krexu, a primeira médica indígena a se formar no Brasil em 2013, hoje ela faz residência em cirurgia cardíaca

Lucélia Muniz
Ubuntu Notícias, 16 de setembro de 2019
Foto: @brukamaroski
“Era uma tarde chuvosa, em fase de lua crescente, nasci chorona e inquieta e gosto de pensar que foi “Nhanderú” que soprou essa inquietação no meu peito naquele dia, ela seria importante durante todo o meu caminho.

Fui batizada Myrian Krexu, lua crescente em Guarani Mbyá. Aos 4 anos de idade toda essa inquietação resultou em um braço quebrado, tudo bem, já não era mais chorona nessa época, e enquanto minha fratura era colocada no lugar, estava muito mais interessada no processo daquele “tal de médico” que meu pai explicou que era quem consertava pessoas.

Ganhei três coisas naquele dia, um gesso, mingau de fubá feito pela minha avó (segundo ela, curava todas as dores), e vontade de consertar pessoas. Foi um longo, e doloroso processo até aqui e ainda é difícil, não foram só os olhares e discursos de ódio, foram os momentos de exclusão, o descrédito, e o lembrete diário de que talvez o lugar “daquela índia” não fosse ali, mas era.

Hoje posso dizer, pessoas podem ser consertadas, ao menos o corpo e com um pouco de paciência e começando cedo, a mente, e os preconceitos ensinados. Hoje eu conserto corações, e vou te dizer, são todos da mesma cor”.

2 comentários:

  1. Lúcélia, vc teria o contato da Myrian para me passar? Sou jornalista na Globo e fiquei intessada pelo perfil dela... Agradeceria!!! Bjs lorena.barbier@tvglobo.com.br

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LUCÉLIA MUNIZ FRANÇA
Blogueira, Professora e Microempresária. Membro da Academia de Letras do Brasil/Seccional Araripe-CE, Cadeira nº 35 que tem como Patrona a Professora e Artesã - Maria Constância da França Muniz. Bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Regional do Cariri-URCA com habilitação em Matemática. Especialista em Matemática e Física pela Faculdade de Juazeiro do Norte-FJN.