segunda-feira, 29 de julho de 2019

Um rosto para a heroína Por José Luís Lira | SOBRE BÁRBARA DE ALENCAR

Lucélia Muniz
Ubuntu Notícias, 29 de julho de 2019
Por José Luís Lira – membro do Instituto Cultural do Cariri (ICC)
Numa conversa amena com o confrade Heitor Feitosa, do Instituto Cultural do Cariri, surgiu, por parte dele, a ideia de reconstruir facialmente a heroína Bárbara de Alencar. Penso que alguns leitores podem estar a indagar-se sobre quem é esta mulher.

Nascida em 1760, dona Bárbara participou ativamente dos movimentos libertários naquele Brasil colonial. Seus filhos Senador Alencar, Tristão Gonçalves e Pe. Carlos, os dois últimos mortos durante a Confederação do Equador (1824), já no Brasil imperial.

Historicamente, Bárbara de Alencar foi a primeira presa política do Brasil. Consta que ela esteve presa no Forte de Nossa Senhora da Assunção, em Fortaleza. Da capital do Ceará ela foi levada a Recife e Bahia, onde teria sido perdoada das acusações que levaram-na à prisão. De retorno ao Ceará, ela passa a residir em Crato e dali, em 1831, parte para Santana do Cariri e, posteriormente, a Fronteiras, no Piauí, onde ela veio a falecer e recebeu sepultura (1832).

Em termos de literatura, Bárbara de Alencar é a avó do escritor José de Alencar e quinta avó de Rachel de Queiroz, como a própria escritora afirma em crônica.

A reconstrução facial é uma técnica que possibilita, a partir de dados contidos no próprio crânio da pessoa, que cientificamente se faça uma aproximação do que foi a imagem da pessoa a quem pertenceu o crânio. Cícero Moraes, designer 3D, é expert na matéria. Com ele já trabalhei em outras reconstruções e lhe propus então fazer a de Dona Bárbara. Uma das figuras mais importantes do Ceará, avó do “pai” de Iracema, logo tão importante quanto.

Conforme protocolos que cumprimos, vimos que há muitos anos os restos de Bárbara foram levados de sua sepultura primitiva à Capela de Itaguá, distrito de Campos Sales. Então, informamos ao presidente do ICC, Heitor Feitosa, da necessidade de autorização por parte do Bispo da Diocese, a considerar o tempo da sepultura.

Fomos então à Cidade de Campos Sales, recebidos na Câmara Municipal e no Seminário Paroquial, onde mostramos as intenções pretendidas. Contudo, deixamos a visita a Itaguá para outra ocasião.

O cuidado do Instituto Cultural do Cariri em querer fazer conhecida a face da heroína Bárbara de Alencar, é dos mais justos. Por quê? Porque naquela época não havia fotografia. Nem sequer uma pintura contemporânea existe. Daí nosso interesse e da Comunidade desta dita Terra Bárbara, quem sabe em homenagem a ela.

A verificação visando reconhecer os restos mortais de Dona Bárbara não pode ser feita. Assim, a imagem da heroína ficará guardada no tempo e no espaço, esperando um momento para, quem sabe, ser revelada, se seu crânio apresentar condições.

Além das razões apresentadas é, também, uma forma de reverenciar a querida e amada Rachel de Queiroz que uma vez visitou o Forte, em Fortaleza, onde a heroína teria ficado e disso fez crônica, como agora o fazemos com essa “expedição”. Ademais, aproveitarei para cumprir o restante da agenda no Cariri, onde visitarei os locais do Pe. Cícero, antes de retornar às atividades do dia-a-dia.

E concluo com a expressão do tema de abertura dos vídeos da Coleção Os Cearenses, da TV O Povo, “Bárbara olha esse chão como é seco o sertão...” do Ceará tão amado! Salve!

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LUCÉLIA MUNIZ FRANÇA
Blogueira, Professora e Microempresária. Membro da Academia de Letras do Brasil/Seccional Araripe-CE, Cadeira nº 35 que tem como Patrona a Professora e Artesã - Maria Constância da França Muniz. Bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Regional do Cariri-URCA com habilitação em Matemática. Especialista em Matemática e Física pela Faculdade de Juazeiro do Norte-FJN.