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08/03/2026

Mulheres em luta pela Chapada do Araripe: corpos livres, territórios vivos | CARIRI

Jornalista Lucélia Muniz

Ubuntu Notícias, 08 de março de 2026

@luceliamuniz_09     @ubuntunoticias

Com Informações de @coletivocamaradas

Nós, mulheres do Cariri ocuparemos as ruas em defesa das nossas vidas, dos nossos corpos e dos nossos territórios.
Março é mês de memória, denúncia e luta das mulheres. Em 2026, nos reunimos com o chamado: *“Mulheres em luta pela Chapada do Araripe: corpos livres, territórios vivos”.*
Defendemos a Chapada do Araripe como território de vida, biodiversidade, cultura e resistência.

Defender a Chapada é defender a água, as sementes, as comunidades tradicionais, as mulheres negras, indígenas, camponesas, trabalhadoras urbanas e todas aquelas que sustentam o Cariri com sua força cotidiana.

Nossos corpos não são territórios de exploração. São espaços de autonomia, dignidade, liberdade e bem viver. Assim como a Chapada, queremos viver sem violências, sem racismo, sem machismo e sem destruição ambiental.

Venha somar nessa caminhada coletiva!

Traga sua voz, sua bandeira, sua energia e sua esperança.
*Dia 09/03 | 8h30 | Concentração na prefeitura de Crato – CE*
Porque quando as mulheres se movem, o território inteiro se transforma.

Mulheres negras e feminismo de bell hooks | JUAZEIRO DO NORTE-CE

Jornalista Lucélia Muniz

Ubuntu Notícias, 08 de março de 2026

@luceliamuniz_09     @ubuntunoticias

Diálogos Literários

No dia 11 de março, às 18h30, acontecerá uma conversar sobre o pensamento de bell hooks e as reflexões sobre mulheres negras e feminismo a partir da pergunta provocadora: “E eu não sou uma mulher?". Pergunta feita pela Sojourner Truth no seu discurso feito na Convenção dos Direitos da Mulher em Akron, Ohio, Estados Unidos, a mulher negra direta a falar sobre a questão. Ela argumentou em público a favor de que mulheres ganhassem o direito de votar, sem esse direito, mulheres negras teriam que se submeter ao desejo dos homens.

Será um momento de troca, escuta e reflexão sobre raça, gênero e resistência na literatura e na vida.

Com Leidiane Santos e Maria Renata @leidiane_santos_pereira @renatasnt16

Biblioteca Inspiração Nordestina – Banco do Nordeste Cultural Cariri

Em Juazeiro do Norte-CE
Entrada gratuita
Um diálogo potente e necessário.

117 anos de nascimento de Patativa do Assaré são celebrados em 05 de março de 2026 | ASSARÉ-CE

Jornalista Lucélia Muniz

Ubuntu Notícias, 08 de março de 2026

@luceliamuniz_09     @ubuntunoticias

Os 117 anos de nascimento de Patativa do Assaré (Antônio Gonçalves da Silva) são celebrados em 05 de março de 2026, destacando seu legado como poeta, cantador e voz do sertão nordestino. Nascido em 1909 no Ceará, sua obra lírica e de crítica social continua influente, inspirando exposições e homenagens como a Comenda Patativa do Assaré. Patativa do Assaré, que faleceu em 2002, é reconhecido internacionalmente por eternizar a vida e as lutas do povo do campo em versos inesquecíveis, como os de "A Triste Partida". 

Para homenageá-lo, a Biblioteca Pública Estadual do Ceará (Bece) – espaço da Rede Pública de Equipamentos Culturais da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult Ceará), gerido em parceria com o Instituto Dragão do Mar (IDM) – realiza, de 05 a 30 de março, a exposição “Patativa: patrimônio vivo da palavra”. Livros e cordéis do poeta e de autores que o estudaram estão expostos no setor Coleção Ceará.

Patativa do Assaré, pseudônimo de Antônio Gonçalves da Silva, foi um icônico poeta e cantador brasileiro, nascido em Assaré, Ceará. Distinguiu-se como uma voz autêntica do sertão nordestino, capturando em sua obra os desafios, a cultura e a vida do povo dessa região.

Seu trabalho, que inclui desde versos improvisados até composições e cordéis, lhe conferiu reconhecimento nacional e internacional, fazendo dele um dos principais representantes da literatura de cordel e da cultura popular brasileira. “A Triste Partida”, seu poema mais emblemático, foi imortalizado na música de Luiz Gonzaga, na qual retrata a realidade dos migrantes nordestinos.

“Comenda Patativa do Assaré”

Atualmente, a Secretaria de Cultura do Ceará concede a “Comenda Patativa do Assaré”, que, a partir da Lei Estadual nº 16.511, de 12 de março de 2018, reconhece personalidades, artistas, poetas, cantadores e pesquisadores que tenham prestado ou prestem notórios serviços em prol do desenvolvimento da cultura popular e tradicional no Estado do Ceará. 

Eu honro todas as minhas ancestrais que lutaram por um mundo mais justo | FELIZ DIA DA MULHER

Jornalista Lucélia Muniz

Ubuntu Notícias, 08 de março de 2026

@luceliamuniz_09     @ubuntunoticias

08 DE MARÇO - Dia de celebrar e reverenciar todas as minhas ancestrais que lutaram para que hoje estivéssemos onde estamos. Dia de saudar as que continuam a lutar por um amanhã mais justo! Dia de lembrar o quanto devemos ser respeitadas pela nossa história, nossa identidade, sobre tudo o que semeamos até aqui...

Reverencio as minhas ancestrais pelos saberes populares, pela sabedoria passada de geração a geração através da oralidade, das manifestações populares, da espiritualidade, do reconhecimento do nosso eu enraizado numa árvore genealógica de muitos frutos!

Hoje estou colhendo, porque algumas mulheres passaram semeando antes da minha existência! E quantas de nós vivem a preparar este solo para as próximas gerações? A semeadura é cheia de desafios e algumas de nós conseguem chegar ao topo mais rápido, mas porque foram acalentadas no colo de tantas outras de nós...

Pelo caminho nos deparamos com rochas e muitas vezes o solo é infértil, mas as nossas habilidades são instrumentos de sabedoria e resistência. Daí é preciso emanar amor e resiliência em cada palavra, gesto e bravura. Somos elos que se interligam e também somos o sopro da vida... damos a vida...e cuidamos das nossas raízes.

Fecundo é o solo cujas mãos calejadas deixaram pegadas durante a semeadura. Se os frutos são doces é porque alguém cuidou das sementes e as viu germinar sobre o solo. Somos o clarão do fogo a arder, somos a água que rompe barreiras, somos a terra a brotar, somos o vento que anuncia a esperança do alvorecer.

Se escrevo é porque tive a oportunidade de frequentar uma escola... Se conto histórias é porque alguém as viveu e segue a inspirar em memória! Gratidão a todas que me ergueram até aqui! Espero ser alento para que outras também cheguem através de mim! Nunca é tarde para começar a semear!

03/03/2026

Como os pequenos laços que construímos tornam o nosso universo gigante | BAÚ DE MEMÓRIAS

Jornalista Lucélia Muniz

Ubuntu Notícias, 03 de março de 2026

@luceliamuniz_09     @ubuntunoticias

Geralmente quando se fala em laços no processo de socialização temos os laços humanos, a interação social, a formação do nosso ser... Mas, para mim esses laços são feitos de vivências e por isso resolvi retirar algumas memórias de um baú e trazê-las em forma de narrativas. Talvez a velocidade das minhas lembranças não caiba em um texto, num livro, num vídeo, num slide, mas sigo contando histórias.

Eis aqui mais uma das histórias onde meu pai e eu protagonizamos uma vivência. Ele gostava de criar cavalos e era por assim dizer, um domador destes animais, não era bem um encantador, mas com seu jeito rude os domava e os treinava para corridas, para carregar cargas, para passeio.

Não lembro bem como aconteceu a aquisição de ‘preto’. Ele era um cavalo já com idade avançada, mas formoso e ‘troteador’. Por sua condição, foi destinado para o grupo dos animais que carregavam cargas, mas por algum motivo se tornou o cavalo favorito de uma criança.

Ela ia até o roçado o chamava pelo nome e ele vinha. Não usava cabresto para ir buscá-lo. O encostava num tronco pequeno de uma mangueira, subia nele e cavalgava até em casa. Ele a carregava em seu dorso, ela segurando em suas crinas longas, dava passadas como se trotasse sobre capuchos de algodão. E dali surgiu uma amizade entre uma criança preta e um cavalo preto.

Trabalhávamos na roça pela manhã e no início da tarde íamos até a escola, retornando apenas à tardinha.  Papai, agricultor, domador de cavalos, vivia entre negociações e aquisições de animais. E se percebesse que nos apegávamos aos animais os vendia no horário em que estávamos na escola.

Ele considerava preto, velho e que não servia mais para carregar as cargas e assim o vendeu. Foi um choque quando notei sua ausência. Mamãe como sempre, dava a notícia e pedia para que não chorássemos na frente de papai. Ela costumava usar um ditado popular: “Vão-se os anéis, ficam os dedos!”

Não sei quem foi o comprador de preto nem seu destino, mas através do uso da Inteligência Artificial (IA) o recriei com uma versão minha adulta.  Hoje se fala que o contato das crianças com os cavalos é uma forma de terapia, posso apenas dizer que era um laço, parte da minha infância. Com preto descobri que os cavalos sabem nadar! Quando o levei para dá água em um açude e estava muito calor, este acabou entrando na água e nadando comigo em seu dorso, não desci, porque não sei nadar. Sim...cavalos sabem nadar!

Moral da história: pequenos laços que construímos ao longo da nossa vida, tornam o nosso universo gigante! Preto, obrigada por salvar minha infância, por ser a minha terapia mesmo quando eu não sabia! Preto, te desejo um horizonte dourado florido com girassóis!

“A relação entre cavalos e crianças é uma conexão poderosa que promove o desenvolvimento emocional, físico e social, fomentando responsabilidade, confiança e empatia”.

01/03/2026

O multiartiatista Ulisses Germano participa da Roda de Poesia no Gesso neste sábado | CRATO-CE

Jornalista Lucélia Muniz

Ubuntu Notícias, 01 de março de 2026

@luceliamuniz_09     @ubuntunoticias

No próximo sábado, 07 de março, a partir das 17h, na Quadra do Gesso, localizada na Rua Monsenhor Juviniano Barreto, no Pinto Madeira Crato-CE), o multiartista Ulisses Germano participará da Roda de Poesia no Gesso, um espaço de reafirmação, direito à cidade e à literatura para a classe trabalhadora.

O evento reúne moradores, poetas, ativistas e militantes que acreditam na construção de um mundo novo, unindo gerações por meio da palavra e da arte.

Além da poesia declamada, a Roda oferece um microfone aberto para intervenções poéticas da comunidade, garantindo que todos possam expressar seus versos e pensamentos. Haverá também o Cine Gesso, com exibição do curta “A procissão dos bombons” de Sávio Emanuel Gonçalves, distribuição de mudas e folhetos de cordel, incentivando o cuidado com o meio ambiente e a leitura.

A feira "Trocatrocaria no Gesso" complementa o encontro com a venda de artesanatos, comidas típicas e brechó, fomentando a economia criativa local. A multiartista Eveline Limaverde será responsável pela mediação e apresentação da roda, conduzindo as atividades com sua arte e sensibilidade.

SOBRE O POETA

Natural de Fortaleza, mas radicado no Crato desde 2003, Ulisses Germano encontrou no Cariri o cenário ideal para expandir sua criatividade. Professor de Artes e Iniciação Musical, compositor e cordelista, é autor de 12 folhetos, entre eles A História do Espinho que Furou o Olho de Lampião (lançado no Crato e em Niterói-RJ) e Suspiro de Um Pedinte nas Ruas do Cariri, que reflete sobre o caos existencial e a alienação contemporânea.

Em 2025, a pedido do professor Álamo Feitosa, teve seu cordel As Peripécias do Peixe Pedra reeditado e apresentado no XIII Simpósio de Paleontologia de Vertebrados. Após 23 anos no Cariri, Ulisses dedica-se agora à escrita de seu primeiro livro, Delírios Desprovido de Significação Imediata. Como ele mesmo inicia suas apresentações: "Quando vim pro Cariri / Não sabia o que fazer / Das histórias que são tantas / E dão enorme prazer / Na Pedra da Batateira / Vi nascer uma roseira / Que chamava por você!".

A Roda de Poesia no Gesso é uma realização do Coletivo Camaradas, Rádio Cafundó, Green Kariri e Centro Cultural Banco do Nordeste.

Serviço:

Evento: Roda de Poesia no Gesso

Data: 07 de março de 2026 (sábado)

Horário: A partir das 17h

Local: Quadra do Gesso – Rua Monsenhor Juviniano Barreto, 35 – Centro, Crato-CE

Programação: Poesia com Ulisses Germano, microfone aberto, Cine Gesso, distribuição de mudas e cordéis, Feira Trocaria Classificação: Livre

Acesso: Gratuito

“Defender o diálogo diplomático e o fortalecimento do multilateralismo não significa neutralidade política...” Por Rodrigo Duarte

Jornalista Lucélia Muniz

Ubuntu Notícias, 01 de março de 2026

@luceliamuniz_09     @ubuntunoticias   @rodrigo_g_duarte

Por Rodrigo Gonçalves Duarte

Cearense de Santana do Cariri-CE, é Cientista Social pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), mestre em Educação e doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da UFMS. Atualmente realiza doutorado-sanduíche na Universidad de Salamanca (Espanha). É pesquisador na área de Políticas Públicas Educacionais, com artigos publicados em periódicos científicos nacionais e internacionais.

O conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel: impactos para o mundo

As tensões no Oriente Médio revelam disputas políticas e estratégicas que ultrapassam fronteiras regionais e influenciam diretamente o equilíbrio internacional.

As recentes tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel recolocaram o mundo diante de um cenário de crescente instabilidade internacional. Embora o conflito esteja concentrado no Oriente Médio, seus efeitos políticos, econômicos e humanitários ultrapassam limites territoriais e demonstram como guerras contemporâneas deixaram de ser fenômenos locais para assumir impactos globais. Mais do que um confronto militar circunstancial, o cenário atual expressa disputas estruturais relacionadas à reorganização do poder internacional em um contexto marcado pela transição para uma ordem mundial cada vez mais multipolar.

A escalada recente não pode ser compreendida apenas como resultado de rivalidades imediatas. Conforme argumenta Immanuel Wallerstein (2004), o sistema-mundo capitalista organiza-se por meio de relações hierárquicas entre centros de poder e regiões que buscam ampliar autonomia política e econômica. Nesse sentido, conflitos armados emergem frequentemente quando Estados considerados periféricos ou semiperiféricos passam a desafiar zonas tradicionais de influência das grandes potências.

O Irã representa precisamente esse movimento histórico. Após a Revolução Islâmica de 1979, o país rompeu com a influência direta dos Estados Unidos e iniciou um processo de fortalecimento político, militar e tecnológico orientado pela soberania nacional. Ao longo das últimas décadas, ampliou sua presença regional, consolidou alianças estratégicas e investiu em capacidades energéticas que o transformaram em potência regional capaz de tensionar o equilíbrio geopolítico do Oriente Médio.

Esse reposicionamento desafia diretamente interesses norte-americanos. A presença dos Estados Unidos na região sempre esteve associada não apenas à segurança internacional, mas também à proteção de rotas comerciais e ao controle indireto sobre fluxos energéticos globais. Como observa Chomsky (2003), o apoio histórico a Israel integra uma estratégia mais ampla de manutenção da influência política e militar em áreas consideradas vitais para a estabilidade econômica internacional. Joseph Nye (2011) acrescenta que o poder global contemporâneo depende simultaneamente da capacidade militar e da preservação da credibilidade política perante aliados e adversários, elemento central para compreender o envolvimento direto norte-americano no conflito.

Israel, por sua vez, interpreta o fortalecimento iraniano como ameaça estratégica de longo prazo. A possibilidade de um Irã com maior capacidade militar e influência regional altera o equilíbrio de poder e reduz a superioridade estratégica israelense. Segundo Mearsheimer (2018), o sistema internacional tende a produzir dilemas de segurança nos quais medidas defensivas adotadas por um Estado são percebidas como ofensivas por outro, alimentando ciclos contínuos de tensão e militarização.

Sob a perspectiva da economia política internacional, as tensões atuais também devem ser compreendidas à luz das transformações do capitalismo contemporâneo. David Harvey (2005) argumenta que disputas territoriais e intervenções militares frequentemente acompanham processos de reorganização da acumulação capitalista, especialmente em regiões estratégicas para o controle energético e logístico global. Nesse sentido, conflitos no Oriente Médio não envolvem apenas segurança nacional, mas disputas por recursos, mercados e influência econômica capazes de redefinir fluxos globais de poder.

Os acontecimentos recentes aprofundaram esse cenário. Reportagens da CNN Brasil indicam que ataques coordenados entre Estados Unidos e Israel atingiram instalações estratégicas iranianas e resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã desde 1989. A operação foi apresentada pelas autoridades norte-americanas como ação preventiva destinada a conter ameaças consideradas iminentes, especialmente relacionadas ao avanço do programa nuclear iraniano e ao desenvolvimento de mísseis balísticos capazes de atingir aliados ocidentais (CNN Brasil, 2026).

A resposta iraniana ocorreu rapidamente, com ataques direcionados a regiões que abrigam bases militares norte-americanas no Oriente Médio, ampliando o risco de regionalização do conflito. Analistas internacionais destacam que crises dessa natureza possuem elevado potencial de contágio geopolítico, sobretudo em um momento de fragmentação da governança global e enfraquecimento de mecanismos multilaterais de mediação (Ikenberry, 2020).

A reação internacional evidencia leituras distintas do conflito. Países europeus demonstraram preocupação com impactos sobre segurança energética, inflação e estabilidade política regional, enquanto organismos multilaterais alertaram para riscos humanitários e econômicos globais. O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, condenou os ataques e reafirmou a centralidade da diplomacia e do multilateralismo, posicionamento historicamente associado à política externa brasileira voltada à solução pacífica de controvérsias.

Os efeitos dessas tensões já se manifestam em escala global. A instabilidade no Golfo Pérsico pressiona mercados energéticos, eleva custos logísticos e amplia incertezas econômicas internacionais. Em sociedades marcadas pela insegurança permanente, como analisa Bauman (2007), ameaças globais passam a justificar respostas políticas baseadas na antecipação do risco e na militarização crescente das relações internacionais. Ao mesmo tempo, como alertava Said (1990), a forma como esses conflitos são narrados internacionalmente tende a simplificar disputas complexas, obscurecendo interesses geopolíticos e econômicos mais amplos.

Opinião do autor

Na minha concepção, o conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel evidencia não apenas uma disputa regional, mas os limites de uma ordem internacional ainda profundamente orientada pela lógica da força como instrumento de regulação política. A morte do principal líder iraniano simboliza o aprofundamento de uma dinâmica em que ações militares preventivas passam a substituir progressivamente mecanismos diplomáticos de resolução de conflitos.

O discurso da segurança nacional, frequentemente utilizado para legitimar intervenções armadas, revela uma contradição central das relações internacionais contemporâneas: em nome da estabilidade, produzem-se novas instabilidades. A atuação dos Estados Unidos nesse cenário demonstra a tentativa de preservar liderança global em um momento de transição do poder internacional, marcado pela ascensão de novos atores regionais e pelo enfraquecimento relativo da ordem unipolar estabelecida após o fim da Guerra Fria.

Israel, inserido em um ambiente regional historicamente instável, busca garantir sua segurança diante do fortalecimento iraniano. Contudo, a lógica da contenção permanente tende a alimentar ciclos sucessivos de retaliação, ampliando inseguranças coletivas. O chamado dilema de segurança internacional demonstra que quanto mais Estados buscam proteção por meio da força, maior tende a ser a percepção global de ameaça.

Os impactos desse conflito atingem de maneira significativa países distantes do epicentro da guerra. Economias como a brasileira experimentam efeitos indiretos por meio da volatilidade energética, pressões inflacionárias e instabilidade econômica global. Decisões tomadas por grandes potências acabam repercutindo diretamente na vida cotidiana de populações que não participam das decisões estratégicas que originam os conflitos.

O cenário atual também expõe o enfraquecimento das instituições multilaterais criadas para prevenir guerras de grande escala. Quando interesses estratégicos das potências prevalecem sobre normas internacionais, evidencia-se uma crise de governança global que coloca em risco a própria capacidade coletiva de mediação de conflitos.

Defender o diálogo diplomático e o fortalecimento do multilateralismo não significa neutralidade política, mas reconhecimento de que, em um mundo interdependente, guerras regionais rapidamente se tornam crises globais. A paz, nesse contexto, deixa de ser apenas um ideal normativo e passa a constituir condição essencial para a estabilidade internacional e para o futuro comum das sociedades contemporâneas.

REFERÊNCIAS

BAUMAN, Z. Tempos líquidos. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.

BRASIL. Ministério das Relações Exteriores. Ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/mre/pt-br/canais_atendimento/imprensa/notas-a-imprensa/ataques-dos-estados-unidos-e-de-israel-ao-ira. Acesso em: 1 mar. 2026.

CHOMSKY, N. Hegemony or Survival. New York: Metropolitan Books, 2003.

CNN BRASIL. Saiba os motivos que levaram os EUA e Israel a atacar o Irã. 2026. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/saiba-os-motivos-que-levaram-os-eua-e-israel-a-atacar-o-ira/. Acesso em: 1 mar. 2026.

HARVEY, D. O novo imperialismo. São Paulo: Loyola, 2005.

IKENBERRY, G. J. A World Safe for Democracy. Yale University Press, 2020.

MEARSHEIMER, J. J. The Great Delusion. Yale University Press, 2018.

NYE, J. S. The Future of Power. PublicAffairs, 2011.

SAID, E. Orientalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

WALLERSTEIN, I. World-Systems Analysis. Duke University Press, 2004.

Graças a ela, você nunca mais se perdeu! Sabe por quê? | GIRO PELO MUNDO

Jornalista Lucélia Muniz

Ubuntu Notícias, 01 de março de 2026

@luceliamuniz_09     @ubuntunoticias

Com Informações de @mentalidadesmatematicas

Quando você usa o celular para encontrar um endereço, acompanhar uma entrega ou chamar um carro por aplicativo, está usando o GPS — Sistema de Posicionamento Global. O que muita gente não sabe é que essa tecnologia existe graças ao trabalho de uma matemática: Gladys West.

Gladys nasceu em 1930, numa área rural dos Estados Unidos. Desde cedo, ela entendeu que a educação seria o caminho para uma vida além da lavoura. Seu desempenho no Ensino Médio lhe garantiu uma bolsa na Universidade Estadual da Virgínia, onde se formou e fez mestrado em Matemática — um território predominantemente masculino.

Ela foi a segunda mulher negra a integrar a equipe científica da Base Naval de Dahlgren, da Marinha americana. Com papel e caneta, preparava as funções matemáticas para que enormes computadores interpretassem dados como os do Seasat, o primeiro satélite projetado para atuar nos oceanos. Através dos cálculos, era possível medir a temperatura da água dos oceanos, a altura das ondas, a topografia do fundo do mar… Era comum que os computadores da época cometessem erros; então, à equipe de cientistas, cabia revisar os resultados e refinar os cálculos. Gladys também trabalhou na programação do computador IBM 7030, com algoritmos precisos, que calculavam com extrema precisão o formato da Terra. Foi esse modelo que, mais tarde, se tornou a base do sistema de geolocalização que usamos hoje.

Apesar de sua contribuição fundamental, seu trabalho permaneceu pouco reconhecido por décadas. Após se aposentar, em 1998, Gladys seguiu estudando: aos 70 anos, iniciou um doutorado, mesmo lidando com as sequelas de um AVC. Em 2018, graças a uma colega de faculdade, sua trajetória começou a ser divulgada, até que, em dezembro daquele ano, ela foi homenageada no Hall da Fama da Força Aérea dos EUA.

Gladys West faleceu em 17 de janeiro de 2026, mas seu legado segue vivo. Como ela mesma disse: “O mundo está se abrindo um pouco e facilitando a vida das mulheres. Mas elas ainda precisam lutar”.

Contribuições ao Plano Estadual de Economia Popular e Solidária | CARIRI

Jornalista Lucélia Muniz

Ubuntu Notícias, 01 de março de 2026

@luceliamuniz_09     @ubuntunoticias

Com Informações de Joelmir Pinho

O Plano Estadual de Economia Popular e Solidária será realizado a partir das propostas aprovadas durante a 4ª Conferência Nacional de Economia Popular e Solidária [CONAES], realizada de 13 a 16 de agosto de 2025, em Luziânia/GO. As propostas estão divididas em quatro eixos e foram adaptadas para o contexto estadual.

Sobre o Seminário

A primeira edição do Seminário Paul Singer se insere na agenda de atividades da disciplina Socioeconomia e Economia Solidária do Curso de Administração Pública e Gestão Social da Universidade Federal do Cariri no semestre 2025.2.

O evento é uma justa homenagem à memória do economista Paul Singer, principal referência nos estudos e no campo das políticas públicas de Economia Solidária no Brasil. Nesta primeira edição o Seminário terá como mote o Plano Estadual de Economia Popular e Solidária do Ceará, em processo de construção, e buscará abrir os diálogos com a comunidade acadêmica da UFCA e com a sociedade caririense, visando apresentar as contribuições do território para o referido Plano.

O Seminário será realizado no dia 18 de março de 2026, das 18h30 às 21h30, tendo como palco o Auditório Beata Maria de Araújo, localizado no campus Juazeiro do Norte da UFCA. Paralelo ao evento haverá uma feira de produtos oriundos de comunidades e grupos vinculados à economia popular e solidária e à economia criativa do território.

Para participar, colaborando com as propostas, clique AQUI.

Abertura da Exposição “Caretas Guerreiros – Couros do Cariri Oeste: A Força da Expressão Popular | ASSARÉ-CE

Jornalista Lucélia Muniz

Ubuntu Notícias, 01 de março de 2026

@luceliamuniz_09     @ubuntunoticias

Com Informações do Culturalista Vavá Góis

É com grande alegria que a página e assessoria Cultura Por Todo Canto em Todo Lugar juntamente com a Fundação Memorial Patativa do Assaré e o Sesc convidam você para a abertura da exposição fotográfica Caretas Guerreiros – Couros do Cariri Oeste: A Força da Expressão Popular – Por Vavá Góis.

Venha prestigiar o trabalho de Vavá Góis, produtor cultural e diretor da página Cultura Por Todo Canto em Todo Lugar, e mergulhar nas cores e tradições vibrantes dos Caretas do Cariri Oeste.

Detalhes do Evento:

Data: 01 de março (domingo)

Horário: às 19 horas

Local: Memorial Patativa do Assaré em Assaré-CE

O que você vai encontrar?

Fotografias Belíssimas: Imagens que capturam a essência e a força da cultura popular.

Mostra de Itens: Veja de perto adereços e objetos originais utilizados pelos Caretas.

Vamos celebrar juntos essa manifestação cultural tão importante da nossa região!

O evento é uma realização da Página e Assessoria Cultura Por Todo Canto em Todo Lugar, com apoio do Sistema FECOMÉRCIO Sesc/Senac em parceria com a Fundação Memorial Patativa do Assaré e do Governo Municipal de Assaré/Secult.

25/02/2026

PASSARINHÔ: Festival de Aves da Chapada do Araripe no Cariri | SANTANA DO CARIRI-CE

Jornalista Lucélia Muniz

Ubuntu Notícias, 25 de fevereiro de 2026

@luceliamuniz_09     @ubuntunoticias

Com Informações de @prefeituradesantanadocariri

O Passarinhô chega para celebrar a natureza, a ciência e a observação de aves em uma das regiões mais ricas em biodiversidade do Nordeste brasileiro.

Serão três dias de imersão, reunindo observadores, fotógrafos, pesquisadores, guias e amantes da natureza em experiências únicas pelas paisagens da Chapada do Araripe.

🌿 PROGRAMAÇÃO OFICIAL

13 de março – Santana do Cariri
🕢 07h30 Saída de campo (Observação de Aves)
📍 Sítio Nicácio

🕓 16h00 Palestra
📍 Polo de Convivência Pedro Linard Rocha

🕖 19h00 Apresentação cultural
📍 Praça Tereza Cabral

14 de março – Barbalha e Santana do Cariri
🕢 07h30 Saída de campo (Observação de Aves)
📍 Arajara Parque – Barbalha

🕓 16h00 Palestra
📍 Polo de Convivência Pedro Linard Rocha – Santana do Cariri

🕕 18h00 Feira de produtos locais
📍 Calçadão da Praça Coronel Felinto da Cruz Neves – Santana do Cariri

15 de março – Potengi
🕢 07h30 Saída de campo (Observação de Aves)
📍 Sítio Pau Preto – Potengi
Durante o festival, os participantes vivenciarão momentos de conexão com a natureza, aprendizado sobre a biodiversidade local e experiências guiadas em cenários emblemáticos da região.

Mais do que um evento, o Passarinhô fortalece o turismo de natureza, valoriza a Chapada do Araripe e posiciona Santana do Cariri no roteiro nacional da observação de aves.

Venha viver essa experiência!

24/02/2026

Hoje, 24 de fevereiro completa 94 anos do voto feminino: uma conquista da luta das mulheres

Jornalista Lucélia Muniz

Ubuntu Notícias, 24 de fevereiro de 2026

@luceliamuniz_09     @ubuntunoticias     @marya_elihanna

Por Maria Eliana de Lima

Associação Cristã de Base-ACB

Graduada em História pela Universidade Regional do Cariri-URCA com Especialização em Teoria e Metodologia da História pela URCA.

Em 25 de fevereiro de 2015 foi instituída a Lei 13.086 como sendo o "Dia da Conquista do voto feminino no Brasil" o termo "conquista" faz jus ao engajamento   das mulheres em diversas forças de luta e ações em contexto político organizativo, coletivos, sindicais, comunitárias, estudos e muito mais...

Assim, é importante lembrar, que o voto feminino foi reconhecido em 24 de fevereiro 1932 através do decreto 21.076, mas, somente em 1933 mulheres puderam votar e ser votadas, foi incorporado à Constituição de 1934, porém, facultativo e somente em 1965 tornou-se obrigatório.

Faz-se necessárias algumas reflexões levando em consideração estas datas. Primeiro, são datas significativas que descortinam a História e mostram caminhos, processos políticos e organizativo das mulheres em diversas frentes de militância, ações e lutas.

Segundo, compreender o nível de organização e quais pautas demandavam a partir da ausência de políticas para as mulheres, principalmente no exercício político de votar, ser votada e influenciar.

Terceiro, na década de 1920 aconteceram diversos movimentos "chamados de contestação" contra o sistema político e cultural do Sistema vigente, numa época que aconteciam   mudanças urbanas, econômicas e políticas.

Nessa conjuntura que mulheres ativas   militando em diversos    espaços de organização política, cultural, comunitária, negro, criação da Liga internacional da mulher sempre em busca da acentuação feminina desde denúncias a reivindicações sócio, político, cultural, educação, reconhecimento.

Ressaltamos aqui a organização permanente e influente das mulheres negras, (que já vinha desde a época colonial) e intensificou-se, no século XIX fortalecendo-se nesta época através de associações recreativas, imprensa negra, cultural por meio de denúncias, contra o racismo da sociedade branca, contra o machismo e desigualdades sociais, de classe e raça, estudos e pesquisas e até hoje orienta, digo, é referência para o movimento feminista negro, ONGs, movimentos sociais e cultural.

E hoje? O que diz esta data para as mulheres?

Nestes 94 anos, aconteceram muitas transformações e mudanças significativas resultados da luta das mulheres, quer brancas, negras, indígenas, mulheres das águas e das florestas, da cidade e do campo, LGBTQI+

São muitas conquistas, mas nunca esquecer que todas essas conquistas foram possíveis através dessas (destas) muitas lutas e até de tombamentos por questões de lutas, políticas, por terra, por posicionamento, por sexismo, machismo "feminicídio", misoginia e tudo isso amparado por esta sociedade patriarcal, de classe, raça e gênero.

Estamos em 2026, ano eleitoral onde elegeremos um(a) Presidente(a), deputados(as) federal e estaduais senadores(as).

E quanto, nós mulheres, hoje, somos representadas nestes espaços?

Na Câmara de deputados federal, de 513 cadeiras, apenas 17,7% estão ocupadas por mulheres, ou seja, 91 mulheres. No Senado, cerca de 20%, do total de 81 senadores(as), 16 são mulheres.

E representação das mulheres negras 1% a 2% no Congresso Nacional.

E nas Assembleia Legislativas, cerca de 18% em todo Brasil.

E aqui, dispensaremos falar da quantidade de prefeitas, vereadoras e presidentes de Assembleias Legislativa em todo Brasil.

O que essa conta significa?

É uma referência importante para repensarmos nossa trajetória tanto na condição de eleitores e eleitoras, bem como de militância político na condição de militância e candidatas para estes espaços.

Dois movimentos para reflexão:

O primeiro,   é muito importante a representação popular e de luta dessas mulheres, que sejam  voltadas  para as reais situações da diversidade e adversidades das mulheres e da classe  trabalhadora.

E ainda ter conexão com as políticas que de fato mudem e transformem vidas sob desenvolvimento econômico, mas, coletivo, comunitário, solidário, ambiental e perspectivas social, saúde, educação, etc.

E quais conexões entre a luta atual das mulheres à luta das mulheres da década de 1920?

Reconhecer quem veio antes, respeitar e sempre trazê-las à memória enquanto História, referência de sonhos e esperanças! 

São 94 anos e vê que para transformações acontecerem é um processo permanente.

São diversas barreiras que pautam desafios. É preciso pensar uma sociedade que paute interseccionalidade de classe, raça, gênero, territórios, cidadania, Bem Viver: Sustentabilidade econômica e de vida.

A Associação Cristã de Base, nesses 43 anos de ação na região do Cariri com extensão à outros Estados do Nordeste traz, nas suas elaborações, a luta por transformações    tendo como missão "contribuir com as comunidades no exercício da cidadania para a convivência com o semiárido" e neste contexto entendendo a dinâmica de muitas mulheres do campo, participativas, militantes contribuindo através dessas lutas e quintais produtivos de mudanças significativas.

E viva as mulheres com sua diversidade, ações e lutas do campo e da cidade, bem como político e condição militante das mulheres periféricas, trabalhadoras, sindicais!