quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Nova-olindense, Dra Alexia França, cola grau em Medicina pela UFCA em formatura virtual na noite da terça-feira (14)

Lucélia Muniz

Ubuntu Notícias, 15 de dezembro de 2021

@luceliamuniz_09 @ubuntunoticias @agenciaclick__ @alex.iafranca

Na noite da terça-feira (14) às 19h foi realizada através do YouTube a transmissão da formatura virtual de 11 estudantes que colaram grau no Curso de Medicina da Universidade Federal do Cariri-UFCA. Dentre os formandos, a nova-olindense Dra Alexia França.

Alexia Maria França Aragão é estudante oriunda do Ensino Médio de escola pública, a Padre Luís Filgueiras de Nova Olinda, e começou seus estudos no Centro de Educação Básica-CEB da mesma localidade. Antes de começar a cursar Medicina pela UFCA, cursou um semestre de Enfermagem pela Universidade Regional do Cariri-URCA, mas o sonho de cursar Medicina a fez deixar o curso da URCA.

A mesma é filha dos nova-olindenses, Diana Moreira Aragão e Adailto Raimundo Muniz da França, a irmã do Eric e da Brenda. No período de estágio do curso que tem 06 anos de duração, chegou a estagiar três meses em Nova Olinda no final do ano passado (2020).

Para quem não assistiu a transmissão do evento da formatura virtual segue o vídeo que está disponível no YouTube:

Confira também, logo abaixo, o discurso proferido pela Dra Alexia França, oradora da turma:

Primeiramente, boa noite a todos! Em nome dos formandos gostaria de agradecer a presença de todos aqueles que se disponibilizaram a participar desta ocasião tão especial. Hoje, concluímos mais uma etapa de nossas vidas e esta, sem dúvida, é apenas uma das tantas vitórias que estão por vir.

Antes de tudo, gostaria de fazer uma homenagem especial aos nossos pais, pois foram quem nos acompanharam desde o início, compartilhando o mesmo sonho: o de realizarmos o nosso. Eles também que muitas vezes fizeram papel de psicólogos e coaches motivacionais. Eles que tiveram que lidar com muito choro, seja de alegria ou tristeza. Eles que suportaram 6 anos de “esse vai ser o semestre mais difícil”, sendo que todos eram os mais difíceis.

Vocês se sacrificaram, se dedicaram, abdicaram de tempo e de muitos projetos pessoais para que nós tivéssemos a oportunidade de estudar e de ter uma boa formação profissional, mas também pessoal. Devemos tudo que somos a vocês, e se sentimos orgulho do lugar onde chegamos, é porque sabemos que vocês vieram segurando as nossas mãos. Muito obrigada por tudo!

Ritos de passagem são celebrações que marcam mudanças de status de uma pessoa no seio de sua comunidade. Os mais comuns são os ligados a nascimentos, morte, casamentos e formaturas. E, ao longo desses 6 últimos anos, nosso processo de amadurecimento e construção pessoal foi demarcado por eles.

Primeiro, tivemos a cerimônia do jaleco, um ritual de inserção. Quando vestimos a tão sonhada peça pela primeira vez, demarcando o início da nossa jornada como acadêmicos de Medicina.

Logo veio a primeira semana de faculdade. Apresentações… conhecemos a estrutura física e pedagógica do curso. Ainda como parte do primeiro ritual, iniciamos um processo de aceitação e participação no novo meio em que estávamos sendo inseridos.

Éramos ansiosos. Quando iremos começar a aprender Medicina?

Iniciamos com os 2 primeiros anos de ciclo básico, a base do curso. Bioquímica, Anatomia, Fisiologia, etc. Amigos e familiares já solicitando opiniões acerca de sinais e sintomas, resultados de exames e reações medicamentosas. Como explicar que ainda não sabíamos nada?

Eis que passamos por um novo rito de passagem. Este que finalmente nos demonstrou as primeiras nuances da Medicina: a Semiologia. A emoção do primeiro esteto e do contato com o primeiro paciente.

Posso afirmar que boa parte de nós recorda do primeiro paciente como se o tivéssemos entrevistado ontem mesmo. Anamnese de 1 hora e meia e exame físico completo, da cabeça aos pés!

E, assim, nos tornamos contadores de histórias e experiências. Aprendemos a ser responsáveis por se fazer entender o paciente e a sua relação com a doença. Fundamental, muitas vezes, para o seu processo de cuidado.

Deixo aqui, em nome dos formandos, um agradecimento a todos os pacientes da Semiologia, pois sem eles não teríamos qualquer base para sermos considerados médicos.

Enfim, Ciclo Clínico, mais 2 anos. Costumamos dizer que é quando realmente o curso começa a fazer algum sentido. Cardiologia, Pneumologia, Endocrinologia, Pediatria, Obstetrícia, etc. É nesse momento que alguns de nós já encontram seus caminhos para futuras especialidades. Tal sentimento aflora diante dos diversos modelos de profissionais que nos é apresentado. Nossos Professores e Mestres... humanização e qualidade do cuidado foram as características que mais nos chamaram a atenção.

Diante disso, a palavra que pode expressar admiração, respeito e carinho aos nossos professores é agradecimento. Agradecer pela paciência, pela partilha de conhecimento e pelos ensinamentos para a vida. Em nome de todos os formandos, gratidão!

E o momento mais esperado… eis que chega o internato, últimos 2 anos de curso. O nosso estágio supervisionado. Um novo ritual de passagem, marcando novos pontos de desprendimento. Fase em que devemos demonstrar postura de profissionais, compartilhar a responsabilidade sobre uma vida e saber se relacionar com uma equipe multidisciplinar.

A cada rodízio, fizemos amigos e nos tornamos queridos. Não é a toa que costumamos dizer que é a fase de maior aprendizado, pois o crescimento é pessoal e profissional.

Entretanto, a melhor fase do curso teve que ser interrompida em decorrência da pandemia do Covid-19. Com o estágio suspenso, voltamos para as nossas casas e famílias e começamos a acompanhar a luta dos profissionais de saúde pelos noticiários.

O medo pelo desconhecido e imprevisível nos chocava. Diversas perdas humanas e a perspectiva de vacinação ainda parecia caminhar a passos lentos. Aguardamos 10 meses para o retorno. E ao voltar aos ambientes hospitalares, tivemos que encarar um cenário ainda pandêmico.

Ver pacientes internados por determinada patologia não relacionada ao Covid-19 e, depois de algum tempo, identificar a infecção pelo novo vírus era angustiante. Ter um paciente pós-covid em um leito de UTI sobre regime de difícil desmame da ventilação mecânica, chegava a ser frustrante.

Pacientes muitas vezes recebiam alta e éramos surpreendidos com o seu retorno ao apresentar sintomas gripais nas salas do PS. Mais assustador ainda, era retornar para os nossos lares e se isolar da nossa família. O medo de levar o vírus para casa nos perseguia constantemente. Até chegar o momento em que os primeiros brasileiros foram vacinados. Até chegar o momento em que nós recebemos o imunizante. Viva a Ciência! Viva o SUS! Uma dose de esperança foi injetada, nos dando ânimo para continuar a jornada.

Apesar disso, as boas experiências não tiveram seu brilho ofuscado.

Acompanhar uma mulher durante todo o seu período gestacional, auxiliar no parto de seu filho e depois recebê-lo em uma consulta de puericultura foi extremamente recompensador. Acompanhar um paciente de enfermaria e depois presenciar sua alta foi extremamente recompensador. Palavras de agradecimento, lágrimas, abraços e, algumas vezes, até presentes ficaram marcados na nossa trajetória.

E não podemos esquecer aqui de agradecer também aos nossos staffs e residentes. Pois, ao celebrarmos o final desta longa caminhada, queremos prestar nossa homenagem a vocês, que contribuíram diretamente para a formação do nosso caráter e profissionalismo. Em nome dos formandos, gratidão!

Pois bem, chegou o tão aguardado dia da colação. O último ritual do ciclo da graduação. Por definição histórica, os rituais suportam significados que contribuem para nortear o sujeito, uma vez que lhe conferem um lugar social e propagam valores a serem seguidos. Hoje, nos tornamos médicos e recebemos a missão de transmitir tudo o que nos foi repassado: teoria, técnica, humanização e empenho sobre a responsabilidade de cuidar de pessoas e vidas singulares, respeitando o meio biopsicossocial pelo qual cada um está inserido.

E, por fim, desejo a todos os meus colegas formandos muito sucesso na carreira e que este seja só o primeiro dos muitos sonhos que serão realizados. Que possamos nos deixar guiar pela humildade e empatia, pois o ego e a arrogância limitam os horizontes de qualquer profissional. Desejo um bom primeiro plantão a todos! Obrigada pela atenção!

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