segunda-feira, 10 de maio de 2021

História e Cultura da População Negra Brasileira | EDUCAÇÃO, HISTÓRIA E CULTURA AFRICANA E AFRO-BRASILEIRA

Lucélia Muniz

Ubuntu Notícias, 10 de maio de 2021

@luceliamuniz_09 @ubuntunoticias @agenciaclick__

Via Curso Educação para as Relações Étnico-Raciais

Autores: Me. Thiago Braga Teles da Rocha e Me. Tom Jones da Silva Carneiro

Revisão pedagógica: Me. Rosilene Aires

HISTÓRIA E CULTURA DO NEGRO NO BRASIL

Desde o Século XVI iniciou-se a chegada maciça de africanos e africanas no território brasileiro. Eles vieram como escravos e foram tratados como mercadorias que tinham como função, na visão dos colonizadores, a de trabalhar para movimentar a empresa colonial. Mas, obviamente, significam muito mais que isso. Foram protagonistas na formação do país, tanto do ponto de vista populacional quanto do ponto de vista cultural e de desenvolvimento tecnológico.

Apesar dos descendentes dos africanos serem mais da metade da população brasileira, acabam sendo minoria no acesso aos postos mais altos do mercado de trabalho e no acesso a bens de consumo. Ou seja, há heranças sociais ainda marcantes da escravidão no Brasil, prejudicando o acesso de negros e pardos aos mesmos postos de trabalho dos brancos. Com a abolição, em 1888, não houve a integração do negro à sociedade. Simplesmente, não houve nenhum tipo de política que garantisse acesso ao trabalho, ao emprego, à moradia, à educação ou a qualquer tipo de bem e serviço para a população negra recém-liberta. Restou-lhes apenas a margem, a informalidade, a sobrevida, as condições precárias de moradia.

Há várias formas de analisar a importância dos negros na formação social do Brasil. Uma delas, talvez, seja a importância do trabalho para os ciclos econômicos brasileiros.

Em um primeiro momento, ainda no século XVI, os escravizados tinham como destino principal o trabalho nas fazendas produtoras de cana-de-açúcar. Posteriormente, passaram a compor várias atividades da sociedade colonial. Havia escravos domésticos, responsáveis pelos trabalhos da casa, escravos de ganho, que podiam ser alugados, e escravos de trabalhos braçais, seja para o trabalho na lavoura, seja no caso urbano para o trabalho na cidade. Eles desempenhavam funções sociais das mais variadas. Os que lograram a liberdade alcançaram postos como ouvires, comerciantes, artesãos, artistas…

Rapidamente, ter um escravo passou a ser uma demonstração de distinção social. Quem tinha o mínimo de condições, possuía ao menos um escravo para suprir suas atividades e vontades no tocante à labuta.

A mão-de-obra negra foi de extrema importância para a empresa de exploração de ouro no século XVIII. Rapidamente, eles compuseram a maior parte das fileiras no processo de exploração aurífera na região das Minas. Sem o trabalho negro, as jazidas de ouro não teriam sido tão rapidamente exploradas e gerado tantos lucros.

O café e o algodão no Império continuaram a ter em suas fileiras a mão-de-obra escrava como mais preponderante, apesar de ter havido empreendimentos na busca pela vinda de imigrantes, compondo um processo de branqueamento da população, em regime de colonato. Com todo o processo paulatino de abolição e o decréscimo da população escravizada, o negro passou a compor um regime de trabalho livre no fim do século XIX. Entretanto, esse trabalho era precário e não acompanhado do status de cidadania constituído com o advento da república. Os negros, posteriormente, vivenciaram em muitos casos a perspectiva de subemprego, assemelhando a labuta à escravidão.

Entretanto, não é apenas a partir do trabalho que podemos compreender a História da população negra no Brasil. Há vários prismas que possibilitam a análise histórica da influência cultural dessa população.

No livro Uma História do Negro no Brasil, de Wlamyra R. de Albuquerque e Walter Fraga Filho, temos a possibilidade de analisar diferentes aspectos da influência histórica dos negros na formação sociocultural brasileira.

Caminhando pelas sugestões dos autores, além de estudar assuntos anteriores à chegada do negros ao Brasil como História da África e a Escravidão Africana e o próprio Tráfico Atlântico, há condições de estudar aspectos ligados à sua organização familiar, dos terreiros, das irmandades, das resistências físicas em fugas para quilombos ou até as revoltas, as novas questões relacionadas ao fim da escravidão, as lutas sociais ocorridas ao longo do século XX, as contribuições culturais basilares para nossa cultura como o samba, a capoeira, o carnaval e o candomblé, compõem uma gama muito mais extensa e complexa de contribuições.

Na música, além do samba, destaca-se o Maracatu, as congadas, os cocos, a ciranda, a capoeira, os folguedos diversos. Há grandiosa influência na alimentação como o acarajé, a feijoada, entre outros. Nas festas populares, o carnaval tem destaque, mas há outras como as danças de São Gonçalo, os bois, as festas de papangus, dos caretas, dentre outros. Na religião, não há apenas o Candomblé, mas também a Umbanda, o Catolicismo de Preto e, mais recentemente, o fenômeno das igrejas evangélicas de maior expressão negra com práticas bastante semelhantes às igrejas americanas, que, por conseguinte, mantém práticas mediúnicas, algo semelhante aos candomblés.

A luta anti-racista empreendida pelos Movimentos Negros no Brasil contemporâneo também é uma das grandes contribuições culturais para o Brasil. VALE DESTACAR:

- Movimento Negro Unificado (MNU);

- União dos Negros pela Igualdade (UNEGRO);

- Instituto Negra do Ceará (INEGRA);

- Maracatu cearense que dissemina formações e projetos artísticos em Fortaleza.

Indubitavelmente, nem sempre essas contribuições culturais dos negros foram valorizadas pelo discurso oficial dos governos e da sociedade brasileira. Podemos acompanhar um grande processo de intensificação dessa influência no decorrer do século XX, por meio das lutas sociais e das políticas afirmativas praticadas ao longo das últimas décadas. Com isso, só depois de lutas e de processos de afirmação é que essas nuances culturais inquestionavelmente disseminadas na sociedade, passaram a ser valorizadas pelo Estado e pela sociedade brasileira.

REFERÊNCIAS

FERRETI, Sérgio E. Sincretismo Afro-brasileiro e Resistência Cultural. Porto Alegre: Horizontes Antropológicos, 1998.

SANTOS, JÁ. Diáspora africana: paraíso perdido ou terra prometida. In: MACEDO, JR., org. Desvendando a história da África [online]. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2008. Diversidades series, pp. 181-194.

SOARES, Afonso Maria Ligorio. Sincretismo afro-católico no Brasil: lições de um povo em exílio. São Paulo: Revista de Estudos da Religião, 2002.

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