segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Um Brasil que não é verde nem amarelo, nem do pobre, nem do negro

Lucélia Muniz

Ubuntu Notícias, 07 de setembro de 2020

@luceliamuniz_09 @ubuntunoticias @agenciaclick__

Hoje no Dia da Independência do Brasil, pela primeira vez, fiquei sem inspiração nenhuma para colocar uma arte felicitando o meu país pela passagem do dia da independência! Existe todo um contexto de descrença e às vezes falta até esperança para acreditar em dias melhores. 

No país das “meninas vestem rosa e os meninos vestem azul”, eu poderia dizer vamos nos vestir de verde e amarelo, mas falta motivação... a blusa da seleção brasileira que foi usada como ícone de um grupo político, hoje dá até vergonha de vestir... tenho medo de ser confundida com uma “extremista política”.

E o verde, eu poderia dizer, mas é o verde das nossas florestas. Qual floresta? A que vem dando espaço ao Agronegócio dos grandes fazendeiros, aos agrotóxicos que banham o nosso solo, as queimadas, a invasão das terras indígenas. Desculpem, não há verde!

Mas, e o amarelo? Poderíamos dizer que é o símbolo das nossas riquezas! A riqueza de quem? Dos desassistidos? Dos sem políticas públicas? Dos que morrem sem a família sequer receber uma mensagem de conforto? Dos que recebem auxílio de 600 reais, mas que deveriam viver com 200 reais? Dos que devem agradecer porque o que recebem ainda é muito e por isso devem ser gratos, porque devem favor?

O país que foi tomado por uma onda onde muitos sentiram-se legitimados para praticarem racismo, discurso de ódio e usarem as redes sociais para perseguir e denigrir às pessoas, não me representa.

O país que quer taxar livros e tirar dos mais humildes o acesso à leitura, não me representa! O país dos intolerantes e que usa Deus para julgar e atingir ou outros, não me representa. O país da violência, onde todos os dias mulheres perdem a vida para a violência doméstica, não me representa.

O país que temos hoje, não me representa, ainda que todos os dias eu tenha que acordar com a missão de tentar fazer diferente e fazer a diferença!  

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