terça-feira, 28 de maio de 2019

Metodologias Ativas por Roseli Brito

Lucélia Muniz 
Ubuntu Notícias, 28 de maio de 2019 
Por Roseli Brito – Pedagoga, Psicopedagoga, Neuroeducadora e Coach
Através dos estudos de Howard Gardner sobre inteligências múltiplas, realizado na Universidade de Harvard, definiu-se que os seres humanos têm potencialidades diversas e que possuem predileções e facilidades diferentes de aprendizagem. A partir deste estudo, a escola deve pluralizar suas estratégias didáticas para que o aluno possa usar todas as suas inteligências de forma plena.

Essas predileções e facilidades se devem à dominância de certas áreas do cérebro. Existem alunos que têm mais tendência à musicalidade, imaginação, reprodução de imagens, porque seu hemisfério preferencial do cérebro é o direito. Enquanto outros têm habilidades lógicas, sequenciais, porque seu hemisfério predominante é o esquerdo.

Somente haverá a estimulação plena das inteligências múltiplas dos alunos, se for utilizada uma gama mais abrangente de metodologias ativas do que somente a aula expositiva.

A escola da modalidade didática, por sua vez, vai depender do conteúdo e dos objetivos selecionados, da idade dos alunos a que se destina, do tempo e dos recursos disponíveis, assim como dos valores e convicções do professor.

Aulas Expositivas:
Uma das abordagens que discutiremos é sobre as aulas expositivas que, tidas como “tradicionais” por alguns educadores, ignoram também suas valias enquanto técnica e modalidade de ensino.

Analisando as tendências pedagógicas presentes nas escolas de ponta, verifica-se que a aula expositiva se contrapõe a uma variedade de modernas técnicas de ensino. Assim sendo, seria válido questionar se essa atividade ainda poderia ser considerada uma técnica de ensino capaz de produzir uma aprendizagem duradoura.

Inúmeras pesquisas indicam que dez minutos está perto do limite superior de atenção que os alunos dão a uma exposição, o que nos remete a indicação que trabalhar os cinquenta minutos somente com a exposição do conteúdo não é muito eficiente. A exposição do conteúdo é importante, mas a partir dela deve-se partir para as outras metodologias e modalidades. (KRASILCHIK, 1996. p. 102-103).

Discussões e debates:
Etimologicamente, discussão vem do latim discutere, que vem de dis+quatere, significando sacudir, abalar, incomodar. O papel do professor é exatamente esse: dado um ponto de vista (uma teoria, um resultado de investigação, uma exposição qualquer) submeter a um aprofundamento de forma que sejam analisadas todas as implicações ali contidas. Muitos professores não incluem discussões em seus repertórios de atividades didáticas, principalmente por não se sentirem seguros para fazê-lo. (KRASILCHIK, 1996. p. 105 e CASTANHO, 1991. p-93)

Demonstrações:
“Não deis a vosso aluno nenhuma espécie de lição verbal: só da experiência ele deve receber”. Quem disse que apenas nos laboratórios pode haver a experimentação? É possível mesmo em sala de aula tornar tangível e significativo àquele indecifrável amontoado de números e letras das aulas de física. Quando todos veem o mesmo fenômeno simultaneamente, garante-se um ponto de vista comum para uma discussão ou para uma aula expositiva. (ROUSSEAU, 1968. p. 78 apud ALMEIDA, 1990. p. 17)

Laboratório Virtual:
A tecnologia é uma ferramenta importante para os educadores, pois com seu auxílio não negamos a relação Ciência/Tecnologia/Sociedade. A utilização dos laboratórios de informática, em escolas que o possuem, podem ser explorados pelos professores de qualquer conteúdo, basta a estes um pouco de afinidade e criatividade.

Projetos:
As disciplinas não são o fim, mas o meio para que o aluno construa a sua personalidade e realização como ser humano (PERRENOUD. 2000). Todo conhecimento passa a ser construído em estreita relação com o contexto em que é utilizado, sendo, por isso mesmo, impossível separar os aspectos cognitivos, emocionais e sociais presentes nesse processo.

A aprendizagem ocorre através da participação, da vivência e da tomada de atitudes. Ensina-se não somente pelas respostas dadas, mas principalmente pelas experiências proporcionadas, pelos problemas criados e pela ação desencadeada.

Ao docente, cabe acreditar que o seu principal objetivo é oportunizar ao aluno apropriar-se do conhecimento pelo uso de estratégias e procedimentos que desencadeiam reflexões, fixam conceitos, constroem habilidades (falar em público, argumentar, posicionar-se etc.) e desenvolvem variadas competências, extremamente necessárias à resolução de problemas novos. Esta estratégia eleva as funções cerebrais a sua plenitude, trabalhando de forma concomitante o córtex pré-frontal e o sistema límbico.

Hoje em dia a interdisciplinaridade, em algumas escolas, está resumida aos conteúdos apresentados em certos sistemas apostilados. Apesar de ser um avanço em se tratando de dar significado ao conteúdo, não pode ser considerado pleno, sem a participação do corpo docente como equipe pedagógica. Para que isso aconteça são necessárias reuniões de elaboração periódicas e constantes.

Estudos do Meio:
Podemos definir o estudo do meio como uma saída da escola com o objetivo de aprofundar conteúdos e levantar hipóteses sobre um aspecto da realidade, sempre com vistas ao aprendizado. Com a dificuldade hoje em dia de sair da escola com os alunos, aproveite estes momentos para contextualizar a saída com o conteúdo programático.

Psicodrama:
Como os projetos interdisciplinares, esta modalidade estimula as principais áreas do cérebro através da dramatização e do compromisso dos alunos em viver algo que os comova, que os envolva num conflito que possa ser trabalhado. Esta metodologia ativa é muito pouco utilizada pelos professores do ensino regular no Brasil.

A maioria das escolas diz utilizar várias metodologias para ensinar seus alunos. O problema é que as estratégias não expositivas representam uma parcela insignificante se comparadas às aulas tradicionais. Com isso a escola acha que modernizou seu repertório, que na verdade continua ultrapassado. Por isso reveja sua metodologia, pois se ela está focada apenas no ensino e não na aprendizagem, você vai precisar fazer mudanças.

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LUCÉLIA MUNIZ FRANÇA
Blogueira, Professora e Microempresária. Membro da Academia de Letras do Brasil/Seccional Araripe-CE, Cadeira nº 35 que tem como Patrona a Professora e Artesã - Maria Constância da França Muniz. Bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Regional do Cariri-URCA com habilitação em Matemática. Especialista em Matemática e Física pela Faculdade de Juazeiro do Norte-FJN.