terça-feira, 28 de maio de 2019

Cortes de verbas na educação do governo Bolsonaro representa aumento da desigualdade étnico-racial

Lucélia Muniz
Ubuntu Notícias, 28 de maio de 2019
Por Nicolau Neto - administrador e editor do Blog Negro Nicolau (BNN). Professor; Especialista em Docência do Ensino Superior pela Faculdade Católica do Cariri (FCC); Graduação em Licenciatura Plena em História pela Universidade Regional do Cariri (URCA); Ativista dos Direitos Civis e Humanos das Populações Negras pelo Grunec; Membro da Academia de Letras do Brasil/Seccional Araripe (ALB/Araripe) e Diretor Vice-presidente da Associação Beneficente de Altaneira (ABA) - entidade mantenedora da Rádio Comunitária Altaneira FM.
Nas últimas duas semanas o País passou por uma verdadeira avalanche. Fenômeno semelhante somente verificado na vitória do presidente Bolsonaro (PSL).

As enxurradas de notícias negativas aparecem todos os dias e é tratada pelos veículos tradicionais de comunicação - escritos e falados – com certa dose de “cinismo” e não contribuem para a formação do pensamento crítico de telespectadores/as. As mais recentes são a reforma da Previdência e os cortes de verbas nas universidades públicas e na educação básica.

Direcionarei meu olhar aqui para a educação. Um presidente que escolhe a educação como sua inimiga também escolhe a população como tal. Cortar recursos da educação deve ser entendido como um crime contra a população, pois diminui sobremaneira as chances de jovens concluírem seus estudos e praticamente zera as possibilidades de alargamento de pesquisas provenientes de mestrados e doutorados no País.

Ao decidir não repassar verbas para as universidades e para a educação básica, o Ministério da Educação (MEC) sob a tutela do presidente diz que a educação é uma clara ameaça aos interesses do governo federal que não é, nem de longe, aqueles que podem contribuir para a construção de uma nação que reconhece as diferenças, valorizando-as, e que prima pela promoção da equidade, pelo apreço as liberdades individuais e coletivas.
Esse governo elegeu, mesmo antes de se eleger, a educação como prioridade. Mas essa prioridade é a que banqueiros e empresários querem ver, não a que nós – população menos assistida queremos. A prioridade do governo, pelo que se percebe, é privatizar o ensino. É um contrassenso.

A prática do corte de verbas na educação é um ataque perverso também a todos os grupos que foram e ainda estão à margem – negros, indígenas, população LGBTs e mulheres. É uma ação ideológica que tem o intuito de destruir o legado das políticas afirmativas, como o PROUNI, Fies, as cotas raciais, dentre outras. Impacta negativamente uma luta histórica dos movimentos sociais, em especial dos movimentos negros espalhados pelo País, por uma educação antirracista. 

Um levantamento obtido da Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico e Cultural dos (as)Graduando(as) das Instituições Federais do Ensino Superior, em sua quinta edição, demonstrou que os estudantes negros e pardos são maioria entre os estudantes das universidades federais do País.

Por isso, que quando estudantes da educação básica e do ensino superior, professores/as, entidades sindicais e movimentos sociais ocupam as ruas para lutarem contra aos cortes do governo federal é por que há o entendimento de que lutar por educação é dizer não ao aumento desenfreado da desigualdade étnica-racial. Ser contra os cortes na educação é lutar por justiça social, por equidade e cidadania.

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LUCÉLIA MUNIZ FRANÇA
Blogueira, Professora e Microempresária. Membro da Academia de Letras do Brasil/Seccional Araripe-CE, Cadeira nº 35 que tem como Patrona a Professora e Artesã - Maria Constância da França Muniz. Bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Regional do Cariri-URCA com habilitação em Matemática. Especialista em Matemática e Física pela Faculdade de Juazeiro do Norte-FJN.