domingo, 16 de julho de 2017

“Nunca me Sonharam” por Felipe Lima

Arquivo de imagens da Fundação Casa Grande
Eu (Felipe Lima), estou extremamente honrado e agradecido pela presença magnificente de todos que compareceram à sessão especial do Filme, que se realizou na última sexta feira (14). Estiveram presente, a maior riqueza que acumulei no espaço de tempo vivido por mim: amigos, educadores amigos, o superintendente do Instituto Unibanco Ricardo Henriques, alguns familiares, e principalmente a minha mãe (Maria das Dores). A emoção de ter assistido a sessão em “casa” (Nova Olinda-CE) e ao lado das pessoas que mais amo, foi imensurável.
Com a Professora Laudinha Muniz
Hoje estou residindo em Fortaleza, cursando o ensino superior (Administração), sou aluno do PROUNI, programa social que visa a inserção de pessoas de baixa renda na rede de ensino superior privada, através de bolsas estudantis e trabalhando em uma escola Estadual. Não foi fácil chegar até a universidade, ainda mais um aluno como “EU” que durante muito tempo o sonho esteve em coma dentro de mim, por diversos fatores. Nordestino, Cearense, de cidade do interior, morador da Zona Rural e componente de um grupo familiar de baixa renda aonde a desigualdade social chega a sufocar o sonho desses moradores, com pouco acesso à cultura, a informação e ao conhecimento, o sonho ficava um pouco limitado.
Com a Professora Maria Sandra de Matos
Além disso, tinha outros fatores que influenciavam. A falta de incentivo familiar e de exemplos para servir como inspiração de alguém da família que já venceu através da educação se abstinha. Durante muito tempo, fui o “aluno problema” das salas de aulas de algumas escolas. Sim, passei por várias instituições durante minha vida acadêmica do fundamental ao ensino médio, e quase sempre apresentando problemas de indisciplina (por descrença em si mesmo e no sistema) e sendo remanejado de salas.
Com o Núcleo Gestor da PLF - Francisquinha, Tia Cida e Paula
Quando cheguei na EEM Padre Luís Filgueiras (2014) em Nova Olinda, senti que esta seria a última escola que passaria, que se caso não me adaptasse ali, o melhor a se fazer era desistir dos estudos e procurar uma ocupação que me desse um retorno mais rápido, assim como meus pais, avôs, bisavôs... na juventude, optaram pela roça para assegurar o seu futuro. Talvez por esse ciclo de cultura, meus pais “Nunca me Sonharam” sendo um psicólogo, “Nunca me Sonharam” sendo um professor, “Nunca me Sonharam” sendo um médico, desacreditados com um Brasil tão desigual. Acho que eles nunca acharam que um pobre também pudesse cursar uma faculdade, que pudesse ter conhecimento, ser intelectual.
Com a sua mãe, Maria das Dores
E de fato, aquela foi a última instituição que passei (a EEM Padre Luís Filgueiras), antes de chegar na faculdade. No 1º ano do ensino médio, fui muito rebelde dando trabalho a muitos educadores chegando a ponto de discutir com uma professora e fazê-la se retirar da sala de aula. Antes de receber a carta de transferência escolar, a Diretora Samara Macêdo Diniz, junto a uma outra professora diretora de turma Maria Sandra de Matos, me deram uma última chance, para que eu pudesse me desculpar tendo uma mudança de postura.
Com a Vice-Governadora Izolda Cela e a Diretora Escolar Samara Macêdo Diniz
A partir daí começa a surgir uma sede de mudança de comportamento e o sonho começa a se reanimar dentro de mim. Corri atrás do prejuízo me engajando nos projetos da escola e fora dela. Comecei a mergulhar no mundo da leitura com apoio da educadora Laudinha Muniz; fiz vários cursos; minicursos; participei de palestras; melhorei minha escrita; leitura; comportamento; nível de conhecimento; nível de cultura e até no aspecto externo (o qual eu deixava transparecer por fora, a bagunça que estava por dentro), chegando a me nivelar aos alunos mais cultos da escola.
Com o Professor Daniel Rodrigues
Minha transformação positiva era perceptível no meio familiar, escolar e social. O reconhecimento veio de forma inesperada; minha mudança despertou curiosidade em várias pessoas, e logo (em 2015) veio o convite para participar de um filme com mais de 70 protagonistas com depoimentos de jovens, educadores e especialistas, traçando um retrato do atual ensino médio público brasileiro.
Minha participação chega a dar nome ao longa, produzido pela Marinha Farinha Filmes de São Paulo, com direção de Cacau Rhoden com iniciativa do Instituto Unibanco. O filme foi batizado de “Nunca me Sonharam”, hoje está sendo exibido nos cinemas de todo Brasil e também fora do país. E esta semana foi a vez da minha cidade receber a exibição do filme. O filme serve de inspiração para que jovens possam se motivar através da minha história. E, principalmente para a sociedade no geral, refletir os aspectos da nossa educação.
Com Ricardo Henriques do Instituto Unibanco
Encerro este post com um agradecimento de forma especial a todos os meus educadores da Padre Luís Filgueiras que não desistiram de mim. Saibam que o conhecimento que vocês me passaram foi além de atividades em sala de aula e preparação para provas e vestibulares! Vocês me ensinaram a se preparar para a vida!
Agradecer de forma carinhosa ao ex-professor da PLF Flávio Araújo Diniz por ter sido um dos primeiros educadores a demonstrar acreditar no meu potencial, até mesmo quando nem eu acreditava. E, agradecer de coração a todos que compareceram à exibição do filme. Muito obrigado!!!

2 comentários:

  1. Simplesmente maravilhado com o documentário, com os depoimentos e com todas as histórias!!
    Fazer educação é, sim, um desafio nos tempos atuais, mas, tendo foco e força de vontade é possível transformar vidas e mover sonhos! Parabéns a todos os envolvidos nesse belíssimo trabalho!

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  2. Estou emocionadamente, de coração cheio de gratidão por você ter se tornado essa pessoal que quis a transformação para melhorias. PARABÉNS!!!!!!!!!!! FELIPE LIMA.

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