sábado, 5 de novembro de 2016

Brasil vive uma epidemia de sífilis

Os jovens pararam de usar camisinha e vivemos uma epidemia de sífilis

A taxa de pessoas infectadas não para de crescer. Entre as gestantes, um dos grupos de maior risco, ela subiu 202% desde 2010. É necessário que as pessoas estejam atentas aos perigos da doença. Primeiro é preciso a conscientização de que não usar camisinha não está dando certo!

Os dados mostram que os casos de sífilis vêm aumentando em todas as faixas da população brasileira ao longo dos últimos anos, mas explodiu entre 2014 e 2015. Entre os adultos, ela cresceu 32,7% nesse período, chegando a 65.878 casos no ano passado. Os casos de sífilis em gestantes subiram 20,9%, e a sífilis congênita, em bebês, cresceu 19%, chegando a 19.228 casos em 2015. Assim, de cada 1.000 nascidos vivos, 6,5 portavam a bactéria.

O Brasil não é o único que anda sofrendo com a doença, mas é, sem dúvida, um dos principais afetados. “Essa epidemia acontece no mundo todo. A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum, que pode ser transmitida tanto por meio da relação sexual quanto da mãe para o filho durante a gestação. A longo prazo, pode provocar lesões ósseas, neurológicas e cardíacas, levando à cegueira, paraplegia, demência e morte.

O pior acontece com os recém-nascidos contaminados durante a gravidez, que podem ter danos semelhantes aos do Zika. Sofrem com má-formação, surdez, deficiência mental. Muitas vezes a mãe pode até sofrer aborto espontâneo.

Um dos principais motivos para a epidemia é que, nos últimos anos, os jovens deixaram de usar camisinha em suas relações sexuais. Além da sífilis outras DSTs têm aumentado como clamídia e gonorreia e até mesmo o HIV voltou a crescer nos últimos três anos. Porém, como a sífilis é transmitida de forma mais fácil a taxa de contaminados só aumenta.

Quanto a AIDS como os novos tratamentos possibilitam aos soropositivos viverem muitos anos portando o vírus, os jovens pararam de se prevenir e a taxa de infectados voltou a crescer entre os meninos de 15 a 19 anos.
Para especialistas essa contaminação se dá devido a facilidade de se fazer sexo sem compromisso onde os jovens pararam de se proteger. Para complicar ainda mais a situação, a sífilis é uma DST que pode ser transmitida pelo sexo oral.

Outro fator que aumenta a transmissão da sífilis é que a infecção é quase silenciosa em seus primeiros momentos. Ela geralmente aparece como uma pequena ferida no pênis, na vagina ou no ânus, que não dói e não coça.

Meses depois, começam a aparecer os sintomas secundários, que são manchas no corpo, principalmente, nas palmas das mãos e plantas dos pés. É nessa fase que os médicos costumam fazer a maioria dos diagnósticos. Mesmo assim, alguns pacientes confundem com alergias e não procuram o tratamento. Apenas anos depois é que os sintomas mais sérios aparecem.

A detecção da sífilis é feita por meio de testes rápidos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Entre as gestantes, os testes têm de ser feitos durante o pré-natal.  Depois do diagnóstico da doença, é a hora de começar o tratamento. Mas — para piorar uma situação que já seria alarmante —, o principal remédio contra a sífilis é a penicilina, que está em falta nas prateleiras desde 2014.

A falta de penicilina aconteceu num momento grave, justamente quando o número de novos casos de sífilis disparava. A outra opção de tratamento é um comprimido que precisa ser administrado ao longo de semanas, duas vezes por dia.

A falta do remédio é ainda mais grave para os bebês que adquiriram a doença durante a gestação. Nesse caso, o único tratamento recomendado é com a penicilina cristalina, que tem de ser aplicada de 4 em 4 horas e também está em falta.

Já estando a atual situação classificada como epidemia, o governo diz assumir o compromisso de erradicar a sífilis congênita, e não tem como fazer isso se não tiver penicilina. Se comprometeu a importar o medicamento somado às campanhas de prevenção, que lembrem os jovens da importância de usarem camisinha, ajudando a diminuir o índice nos próximos anos.

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