segunda-feira, 14 de março de 2016

Elas por Eles com João Lucian

João Lucian Ferreira da Silva
Novolindense, Professor, graduado em História, com pós-graduação em Metodologia do Ensino de História e Geografia, residente aqui em nosso município.
ENTREVISTA nº 15          
Lucélia Muniz - Dentro do contexto atual, na sua opinião, quais as principais conquistas alcançadas pelas mulheres?
João Lucian - A mulher mundial, de forma particular a brasileira, tem conseguido a troco de muita organização e luta alcançar espaços inimagináveis, se levado em consideração a memória histórica dessa categoria e os tristes traços da estrutura da sociedade, a saber: preconceituosa, machista, patriarcal, injusta...

As conquistas perpassam pelos mais variados campos, podendo aqui ressaltar: o crescente aumento do número de mulheres ocupando cargos nas estruturas de poder; participação qualificada e em pé de igualdade na vida política, econômica, social do país; Igualdade de direitos; inserção nos distintos campos de trabalho; Asseguramento de políticas sociais, de gênero, e de combate e criminalização da violência contra a mulher.

Ainda que insuficiente, estas conquistas têm apontado para o horizonte de uma sociedade mais justa, democrática e humana.

O Dia Internacional da Mulher (08 de março) tem notadamente se constituído ambiente importante para comemorações, homenagens, denúncias e reflexões sobre a conjuntura da mulher na sociedade, suas conquistas e os desafios a serem enfrentados. A natureza da existência de um dia especialmente dedicado às mulheres e as formas diferenciadas de se viver este dia, não tem sido consenso nem entre os mais críticos e defensores de um mundo mais justo e de mulheres emancipadas. De qualquer modo, acredito não ser esta discussão a mais importante da engrenagem. Prefiro fortalecer a importância das mulheres para o mundo, e assim, reconhecer a insuficiência do 08 de março diante da magnitude que estas representam.

Lucélia Muniz - Em pleno século XXI, quais situações ainda são enfrentadas pelas mulheres? Seja na questão de gênero, na falta de políticas públicas e/ou no contexto socioeconômico.
João Lucian - Acredito, ser as conquistas supracitadas importantes, porém, faz-se necessário ressaltar a sua insuficiência. O empoderamento das mulheres do século XXI não tem sido bastante para isentar de um todo os entraves que emperram a vivência plena de sua feminilidade.  Ser mulher, segundo o padrão que o século cobra, não deve ser fácil.

A sociedade continua tristemente pautada no pensamento machista. Continua a crença da subordinação da mulher em relação ao homem e, mesmo com o vigor da Lei Maria da Penha (11.340/06), persiste escancaradamente a violência contra mulher, nas suas diferentes maneiras e expressões. A representação feminina na política ainda é ínfima e sintomática, reflete a natureza sexista da sociedade.
As mulheres são feitas marginais pelo sistema e carentes de um olhar e políticas que as promovam e dignifiquem cada vez mais.

Lucélia Muniz - E como a Educação pode ser usada como uma “arma” no combate a estas situações?
João Lucian - A conjuntura nos cobra mais organização para lutar e fazermos resistência aos pensamentos e ações que fortalecem o retrocesso.
Nelson Mandela já preconizava: “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”. Em consonância com este pensamento, diria que, conceber a superação destas situações sem utilizarmos a educação como ferramenta, seria um tanto complicado, pois, é através da educação que estranhamos, julgamos e transformamos.
Não devemos nem podemos desacreditarmos da possibilidade de superação dessa estrutura social. Se perdêssemos a capacidade de acreditarmos na dose de realidade presente nas utopias, perderíamos também a crença na educação e no seu poder para mudar o mundo.

Lucélia Muniz - Neste Dia Internacional da Mulher, no mês de março, qual Mulher você gostaria de homenagear em nome de todas? Por que?
João Lucian - Ontem, hoje, amanhã é sempre será dia para se homenagear elas (as mulheres)!
Em nome de todas as outras mulheres do mundo, gostaria de homenagear Dona Joana Ferreira da Silva. Mulher humilde, trabalhadora, fraterna e corajosa. Mulher que mesmo sendo analfabeta, nunca teve dúvida do poder da educação para transformar nossas vidas, e que para honrar suas orientações, frequentou várias escolas de Educação de Jovens e Adultos, pelas quais conseguiu aprender escrever seu nome e assim mudar seus documentos, cultivando uma pedagogia que nos servia de exemplo. 
Mulher que amo!

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