sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Ensino Médio: caminhos para um currículo flexível

(...) argumenta-se que a reformulação dessa etapa deve permitir que os jovens escolham, a partir de um leque de opções, o percurso que mais se adeque às suas características pessoais, vocações e projetos de vida.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) 2014, existe hoje no país 1,7 milhão de jovens de 15 a 17 anos fora da escola, o que equivale a 16% da população dessa faixa etária. Embora em termos relativos o acesso ao Ensino Médio tenha alcançado progressos consideráveis nas últimas duas décadas, o contingente de jovens que abandona os estudos, o baixo desempenho nas avaliações externas e a ainda elevada taxa de repetência são alguns dos sinais da crise dessa etapa de ensino. Os indicadores traçam um quadro de exclusão e desigualdade que tem chamado a atenção de pesquisadores, gestores públicos e militantes da área educacional. Para muitos, o currículo do Ensino Médio é um dos principais nós a serem desatados.

Relatório divulgado pelo Unicef em março deste ano que elenca os 10 principais desafios para essa etapa aponta a necessidade de “definir uma identidade para o Ensino Médio” como um deles. Esta questão relaciona-se diretamente ao currículo, pois envolve uma discussão sobre qual deve ser o foco do Ensino Médio: proporcionar uma formação geral versus qualificar para o mercado de trabalho versus preparar para a universidade.

A INADEQUAÇÃO DO CURRÍCULO À DIVERSIDADE DE JUVENTUDES

Um levantamento nacional realizado pelo Instituto Unibanco neste ano procurou identificar os principais desafios curriculares do Ensino Médio regular. Foram utilizados como fontes de pesquisa artigos publicados na grande mídia, a bibliografia especializada (estudos e pesquisas) e as discussões realizadas nos principais congressos e seminários sobre Ensino Médio entre 1998 e 2015.

O estudo constatou que a crítica sobre o Ensino Médio se estrutura em torno de três eixos: a existência de uma trajetória única e inflexível, sem a possibilidade de formações alternativas; o currículo pouco adaptado à diversidade de juventudes e o inchaço e a fragmentação dos conteúdos curriculares.

Embora nos últimos anos o número de matrículas no Ensino Médio mantenha-se em patamar relativamente estável (na marca dos 8,3 milhões), entre a segunda metade da década de 1990 e o início dos anos 2000 registrou-se um salto de mais de 50% nas matrículas1. Isso mudou o perfil dos jovens que chegam a essa etapa, antes restrita a uma elite, impondo à escola o desafio de lidar com a heterogeneidade do corpo discente.

Pesquisa, de 2013, realizada pela Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), encomendada pela Fundação Victor Civita, revela a dissonância entre o currículo ofertado nas redes e as percepções e atitudes de jovens de baixa renda sobre o Ensino Médio. A pesquisa apontou que a demanda por entrar no mercado de trabalho se sobrepõe à de ingresso na universidade, pelo menos em um primeiro momento: 53,8% dos estudantes entrevistados acreditavam que, após concluírem o Ensino Médio, iriam primeiro trabalhar, para posteriormente cursarem o Ensino Superior.

Leia mais em Instituto Unibanco – Aprendizagem em Foco

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