sexta-feira, 11 de setembro de 2015

“Todas as vozes importam”

Pintura de Daniel Dalopo / CC BY-NC-SA 2.0

“Mais vozes precisam ser ouvidas”

Kasha Jacqueline Nabagesera

 

Em um país onde as pessoas homossexuais frequentemente têm que se esconder para proteger sua vida, é preciso muita coragem para que uma ativista LGBTI adote o apelido “Bombástica” (Bombastic, no original em inglês). Em Uganda, a terra natal da ativista Kasha Jacqueline Nabagesera, uma pessoa pode ser morta apenas por amar alguém. No entanto, o estupro, perseguição, prisão e morte de inúmeras pessoas homossexuais ugandenses, não impediram a aguerrida ativista de fundar – e de dar o seu próprio nome – a primeira revista escrita por colegas da comunidade LGBTI e que conta suas próprias histórias. Em agosto de 2015, foi lançada uma chamada de artigos para o segundo número da revista.

A revista Bombastic, bem como o apelido de Kasha, fazem referência a uma famosa canção em Uganda chamada “Mr. Lover Lover, Mr Bombastic!” do cantor Shaggy, de origem jamaicana e estadunidense. O título da publicação revela como a comunicação e a cultura popular têm sido fundamentais na luta contra o ódio e preconceito em Uganda. Kasha fundou e foi presidente por dez anos da FARUG (“Freedom and Roam Uganda”, no nome original em inglês), a mais importante organização de direitos LGBTI da Uganda. Desde então, ela tem aliado esforços jurídicos e políticos a ações culturais pelo direito de existir e de se expressar publicamente da comunidade LGBTI. Com 35 anos de idade e nascida em Kampala, Kasha descreveu que “alterar a lei na Uganda seria um grande passo, mas que o mais importante é mudar a mentalidade das pessoas”.

Desde a escola, quando alguns de seus amigos cometeram suicídio como consequência do bullying, ela vem lutando pelos direitos LGBTI no parlamento, na ONU, União Europeia e Comissão Africana. Ela tem buscado desafiar ativamente a lei e a cultura popular para mudar tanto as estruturas formais quanto o comportamento cotidiano das pessoas em relação às pessoas homossexuais em Uganda. Quer ela esteja participando de debates em fóruns de alto nível ou da criação do primeiro bar LGBTI no país, Kasha sabe que é preciso mais do que um mero lobby político para mudar a realidade no terreno.

O bar LGBTI acabou sendo fechado. No entanto, de modo até mesmo mais preocupante, outras derrotas também podem acontecer no âmbito legal. A Corte Constitucional anulou uma lei contra a homossexualidade que foi aprovada em 2014 e que impunha pena de prisão perpétua ao “crime de homossexualidade.” No entanto, a sentença não foi baseada em questões de mérito, mas sim em aspectos procedimentais. Os juízes determinaram que a falta de quórum no Parlamento tornava o projeto de lei inválido. O texto de um novo projeto de lei, que ainda não foi formalmente apresentado, vazou para a mídia em dezembro de 2014. Esse projeto de lei é considerado ainda mais abrangente do que o anterior, uma vez que também inclui dispositivos legais contra pessoas transexuais.
Esses reveses não detiveram Kasha. Em uma entrevista exclusiva à Sur 21, Kasha falou sobre a revista Bombastic, o bar LGBTI, as leis, a Parada do Orgulho Gay e de maneira mais ampla sobre a luta LGBTI em Uganda.

Via Revista SUR 21

Confira a entrevista clicando AQUI.

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