10/03/2015

Mulheres que inspiram – Cícera Andrade Ferreira de Lima

A nona homenageada da Série Mulheres que inspiram é Cícera Andrade Ferreira de Lima.
Cícera Andrade Ferreira de Lima
Graduada em Ciências Sociais;
Estudante no Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte/UFRN.

ENTREVISTA
Lucélia Muniz - Dentro do contexto atual, na sua opinião, quais as principais conquistas alcançadas pelas mulheres?
Cícera Andrade - Muitas foram, são e serão as conquistas que teremos, mas gostaria aqui de destacar, o voto feminino conquistado, no ano de 1932, que de certa forma, possibilitou, ainda que precariamente, nossa participação política na sociedade, num contexto fortemente marcado pela dominação masculina. O alargamento do acesso ao ensino superior, e consequentemente, a sua atuação nos diferentes espaços do mercado de trabalho. E por último, a aprovação da Lei Maria da Penha, Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, que tende ao emponderamento das mulheres na não aceitação da sua condição de submissa à figura masculina.

Lucélia Muniz - E você, qual sua principal conquista enquanto mulher?
Cícera Andrade - A minha independência conquistada, fundamentalmente, pela minha formação profissional em Ciências Sociais, esta que não só me permitiu adentrar no mercado de trabalho, mas também pensar-me enquanto mulher, como sujeito histórico que questiona a sua própria condição e que luta para transformar o mundo a sua volta, especialmente, no que concerne a luta pelo espaço da mulher na sociedade.

Lucélia Muniz - Em pleno século XXI, quais situações ainda são enfrentadas pelas mulheres? Seja na questão de gênero, na falta de políticas públicas e/ou no contexto socioeconômico.
Cícera Andrade - Mesmo com a aprovação da Lei Maria da Penha, vale destacar, ainda, a violência contra a mulher; a desigualdade profissional, principalmente, no que se refere a diferença salarial em alguns setores do mercado de trabalho; a desqualificação da mulher por parte da mídia, que muito reproduz valores tradicionais, ou seja, a condição de submissão da mulher na sociedade. E, por conseguinte, gostaria de destacar, a importância de uma maior atuação dessas mulheres nos diferentes setores sociais, como nas atividades relacionadas ao Estado, Acredito que uma maior participação delas, poderia ser de grande importância na luta por mais direitos.

Lucélia Muniz - E como a Educação pode ser usada como uma “arma” no combate a estas situações?
Cícera Andrade - Em todos os sentidos, acredito ser a educação o maior instrumento de luta que podemos ter, uma vez que ela pode garantir a formação crítica de mulheres e homens, e que a partir daí, irão questionar como as sociedades classificam desigualmente uns sujeitos e outros, numa dada estrutura social. Além do mais, é por intermédio da educação que essas mulheres se formam profissionalmente e passam a ocupar determinados espaços, que até algum tempo atrás não se acreditava ocupar. Nesse sentido, vejo na educação a possibilidade da tomada de consciência que implicará na atualização das crenças e valores morais que possibilitará a construção de uma nova sociedade.

Lucélia Muniz - Deixe-nos uma mensagem neste Dia Internacional da Mulher.
Cícera Andrade - A nós mulheres, quero dizer, que a luta é árdua, os desafios são enormes, mas que sem essa luta, sem uma perspectiva de transformação nunca seremos completas, não seremos, de fato, mulheres. E se não nascemos mulheres, mas nos tornamos como já afirmara Simone de Beauvoir, pois que sejamos as mulheres que desejamos ser!!

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