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29/09/2026

Se eu pudesse encontrar a minha versão criança… | REFLEXÃO

Jornalista Lucélia Muniz

Ubuntu Notícias, 29 de setembro de 2026

@luceliamuniz_09     @ubuntunoticias

Se eu pudesse voltar no tempo e encontrar aquela criança que um dia fui, eu não diria para ela ter pressa em crescer. Eu me sentaria ao seu lado, seguraria sua mão e diria: “Você não precisa ter todas as respostas agora.” Falaria para continuar construindo brinquedos com materiais da natureza. Diria que a sua criatividade e curiosidade seriam essenciais para uma vida adulta.

Diria para ela continuar sonhando, mesmo quando alguém dissesse que seus sonhos eram grandes demais. Que ela não deixasse o mundo apagar a sua curiosidade, sua sensibilidade e a capacidade de se encantar com as pequenas coisas.

Eu diria: “Você vai cair algumas vezes, vai se decepcionar, vai chorar por pessoas que não ficarão para sempre e vai descobrir que nem tudo acontece como você imaginou. Mas você também vai se levantar, aprender, recomeçar e descobrir uma força que hoje ainda não consegue enxergar.”

Vai descobrir que todas às vezes que saiu correndo em disparada o nome disso era liberdade já que você não conseguia verbalizar suas emoções. Diria que a vida não te fez uma atleta olímpica, mas te deu uma vontade enorme de correr para batalhar atrás de muitas coisas.

Talvez eu também pedisse desculpas pelas vezes em que, já adulta, fui dura demais comigo mesma. Pelas cobranças, pelos medos e por todas as vezes em que achei que precisava ser forte o tempo inteiro.

Diria que a morte precoce de mamãe seria uma ferida aberta sempre a sangrar, mas nos tornaríamos guardiãs de sua história e isso seria reconfortante e admirável.

Eu abraçaria aquela criança e diria:

“Não tenha vergonha de sentir. Não esconda seu sorriso. Não deixe de brincar. Não tenha medo de ser diferente. Você não precisa agradar todo mundo para ser merecedora de amor.”

E, antes de partir, eu lhe faria uma promessa:

“Eu vou cuidar de você. Vou tentar não esquecer quem você é. E, mesmo depois de tantos anos, vou carregar seus sonhos, sua coragem e sua esperança dentro de mim.” Porque talvez crescer não seja abandonar a criança que fomos.

Talvez crescer seja aprender a olhar para ela com carinho e perceber que, apesar de tudo, ela nunca foi embora. Ela continuou aqui — escondida em nossos sonhos, em nossas escolhas, naquilo que ainda nos emociona e na esperança que insistimos em carregar.

E então, se eu pudesse encontrá-la uma última vez, eu não diria apenas que tenho orgulho de quem nos tornamos.

Eu a abraçaria forte e diria:

“Desculpa por todas as vezes em que esqueci de você. Obrigada por nunca desistir de nós. Hoje eu entendo: você não precisava crescer para ser alguém. Você já era tudo o que precisava ser. E se eu pudesse escolher uma coisa para levar comigo pelo resto da vida, seria justamente isso: nunca mais me afastar de você.”

Porque, no fim, talvez a maior forma de amadurecer seja voltar para dentro de si e finalmente aprender a cuidar da criança que um dia só queria ser amada, acolhida e feliz.

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