Jornalista
Lucélia Muniz
Ubuntu
Notícias, 03 de julho de 2026
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O Diário de Anne Frank é uma obra de grande valorização no meio literário. Entretanto, ainda é pouco explorada, dado o seu caráter intelectual, documental e histórico. Esse livro pode ser uma importante ferramenta humana para os dias atuais. Anne Frank nasceu em 1929, na Alemanha. Aos quatro anos foi obrigada a sair do país com a família devido a ascensão de Hitler ao poder.
Quando o nazismo chega a Holanda para onde rumaram, a família Frank é forçada a se esconder no anexo do sótão do escritório de Otto Frank, pai de Anne. Além da garota, seu pai, sua mãe e sua irmã Margot, também se refugiam no esconderijo mais três integrantes da família Van Pels e o dentista Dussel. Em meio ao conflito da Segunda Guerra Mundial, em um ambiente pequeno e fechado, com muitas pessoas, a adolescente se apega ao diário que ganhou no aniversário para expor seus pensamentos, emoções e dúvidas, que são mais do que os conflitos comuns de adolescentes.
Para Anne ainda havia a Guerra, o massacre, a falta de liberdade e de dignidade humana, os sonhos sufocados. A família Frank ainda ficou refugiada no anexo secreto por dois anos, até ser encontrada pelos nazistas. Anne morreu em um dos campos de concentração aos quinze anos. Dos membros da família, apenas Otto Frank sobreviveu. O livro é tão importante que já teve algumas versões e inúmeras edições. O original que a garota escreveu e outra que ela reorganizou para divulgar. Depois da Guerra, seu pai quis realizar o desejo da garota de publicar os relatos. Então, organizou outra versão para resguardar algumas confissões íntimas da menina. Posteriormente, estudiosos fundamentaram a versão atualmente conhecida, de forma a preservar a veracidade e originalidade dos escritos.
Não é preciso terminar de ler o livro para ter certeza de seu valor, antes de chegar a metade, o leitor já se apaixona. O diário de Anne Frank pode ser muito proveitosamente utilizado nas escolas como ferramenta pedagógica (paradidático), visto que na linhagem da História, o livro relata fatos e datas memoráveis, que podem auxiliar no ensino da disciplina.
A obra de Anne Frank é marcada também pelos aspectos da adolescência, os quais podem fazer com que os jovens estudantes se identifiquem, e assim, o diário pode servir de ferramenta socioemocional. Sobretudo, quando a menina descreve suas emoções e sinaliza: “Sinto-me má ao dormir numa cama quente, enquanto em algum lugar meus melhores amigos estão caindo de exaustão ou sendo derrubados”.
Além disso, o livro pode despertar no leitor o desejo de escrever, a garota afirma: “O papel tem mais paciência do que as pessoas”. Anne atenta muito para as questões do dia a dia e põe o leitor a pensar nas questões da vida. Inegavelmente, os relatos da menina prendem o leitor do início ao fim e desperta seus sentimentos, principalmente ao demonstrar sonhos e o desejo de escrever livros: “até agora só contei meus pensamentos ao meu diário... no futuro, vou dedicar menos tempo ao sentimentalismo e mais tempo à realidade”.
O diário de Anne Frank é muito valoroso e atual, um daqueles livros que todos devem ler. A gente cresce com esta ferramenta, que é um verdadeiro manual humano.
Maria
Gerlane Cavalcante – Psicóloga, contista e cronista campossalense. Técnica em
Comércio pela Universidade Estadual do Ceará; Bacharel em Psicologia pela
Universidade Federal do Vale do São Francisco; Especialista em Impactos da
Violência na Escola pela Fundação Oswaldo Cruz; Mestranda em Psicologia pela
Universidade Federal do Vale do São Francisco; Residente Intersetorial em
Primeira Infância (UPE). Coautora em “Poetas e poesias” (2011) e “Somos
Escritores: jovens que escrevem” (2019).

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