sexta-feira, 28 de maio de 2021

Educação: com pandemia, acesso à internet vira direito social básico

Lucélia Muniz

Ubuntu Notícias, 28 de maio de 2021

@luceliamuniz_09 @ubuntunoticias @agenciaclick__

Por MARIA CLARA DIAS - Repórter da Exame

Pesquisa da Pearson mostra que alunos e pais de diferentes países acreditam na permanência do ensino digital e discute o papel dos governos em ampliar a igualdade do acesso à internet

A pandemia fez com que a percepção dos brasileiros sobre a relação com a internet fosse alterada de maneira significativa, e hoje o acesso à educação digital já é considerado um direito humanitário básico. A conclusão é de uma pesquisa global inédita realizada pela empresa de educação Pearson em parceria com a empresa de pesquisas de mercado americana Morning Consult.

O estudo Global Learner Survey 2021, que abrange opinião de estudantes de 6.000 pessoas, entre estudantes universitários e pais de jovens com idade entre 11 e 17 anos no Brasil, China, Estados Unidos e Reino Unido, buscou analisar os principais impactos da covid-19 nos processos de aprendizagem globais e de que maneira o acesso à internet reconfigurou o ensino como o conhecemos.

Principais achados da pesquisa

Acesso à internet como direito humano

Com a permanência do ensino digital, 87% dos pais e 87% dos alunos concordam que a pandemia transformou o acesso à internet como um direito social básico. No Brasil, esse número é de 83% e 86%, respectivamente.

Tal achado deixa ainda mais evidente a urgência do setor público em adotar medidas que permitam o acesso igualitário ao universo online. Globalmente, 90% dos estudantes acreditam que o governo deveria fazer mais para viabilizar essa acessibilidade.

“A questão não é apenas disponibilizar acesso universal a todos os membros do sistema educacional, mas capacitar os profissionais para o uso, esclarecer com as famílias a importância de sua participação nesse uso para torná-lo consciente e garantir que os estudantes tenham como tirar o máximo proveito desse acesso, sem sofrer com a imensa quantidade de distrações possíveis em um ambiente online”, diz Juliano Costa, vice-presidente de produtos educacionais da Pearson na América Latina.

Aprendizagem digital veio para ficar

Para 90% dos pais e estudantes universitários dos quatro países consultados, o aprendizado online continuará sendo uma realidade, mesmo com o fim da pandemia e obrigatoriedade do distanciamento social.

Há ainda a percepção de que o modelo híbrido de ensino, que combina aulas online e presenciais, será o ideal daqui para a frente. Cerca de 46% dos pais e 64% dos estudantes apontaram essa tendência. No Brasil, 43% dos alunos apoiam o modelo híbrido de ensino para o futuro.

Para Costa, a nova realidade também exige do Brasil uma reestruturação das bases curriculares e educacionais, que devem incluir práticas e conteúdos voltados para o digital, não apenas como uma adaptação imediata, mas uma maneira definitiva de ensinar de maneira remota.

“Quando conseguirmos normalizar a atividade educacional, será necessário revisitar essas práticas para extrair delas o que de melhor elas têm a oferecer e, então, reelaborar o currículo e a prática pedagógica para novos modelos de ensino e aprendizagem.”

Futuro do trabalho

Ao impactar estudantes de diferentes idades, a pandemia também transformou a força de trabalho do amanhã, afirma o relatório. Há um consenso global de que as habilidades profissionais do futuro não serão as mesmas de hoje, e universidades e escolas precisam passar a dedicar mais tempo para disciplinar os alunos para as novas exigências do mercado. O foco no ensino digital deveria ser maior, segundo a opinião de 74% e 66% dos pais e alunos brasileiros.

"Se por um lado a educação se adaptou e entendeu que competências relacionadas a letramento digital já são uma realidade a que a escola (de educação básica e de ensino superior) está se adaptando atualmente, por outro lado ela precisará rever os currículos para entregar ao mercado profissionais que já tenham essas competências e que, de preferência, não precisem desenvolvê-las inicialmente no ambiente corporativo”, afirma Costa.

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