segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Padrões de uso de drogas


É importante lembrarmos que a dependência de drogas (ou fármaco-dependência) é a organização processual de um sintoma cuja gênese é tridimensional: a substância psicoativacom suas propriedades farmacológicas específicas; o sujeito, com suas características de personalidade e sua singularidade biológica; e, finalmente, o contexto socioculturalno qual se realiza esse encontro entre sujeito e droga.

Uma droga pode ser utilizada com diferentes finalidades, configurando diferentes propósitos: uso recreacional, uso em contextos rituais (religioso, por exemplo), uso terapêutico, ou uso como fuga de uma realidade insuportável. Tomando como exemplo diferentes contextos e finalidades no consumo de álcool, uma pessoa pode consumir álcool socialmente em um encontro com amigos, em contexto ritual (o vinho, na qualidade de símbolo do “sangue de Cristo”, na liturgia cristã), como tentativa de relaxar ou diminuir a ansiedade ao final de um dia difícil oupara não pensar em problemas pessoais de difícil resolução (fuga de uma realidade). São exemplos de diferentes contextos em que o mesmo sujeito pode fazer usos completamente distintos de um mesmo produto (no caso, o álcool).

Quanto a substância, devemos considerar sua forma de apresentação, acessibilidade e custo; diferentes modos de uso (ingerida, inalada, fumada, injetada); suas características farmacológicas, incluindo o potencial para gerar dependência e seus efeitos fisiológicos. Rápido início de ação e efeito intenso estão relacionados a maior potencial de dependência. Substâncias que são eliminadas rapidamente do sangue desencadeiam síndromes de abstinência mais intensas (por essa razão, por exemplo, uma substância fumada ou injetada tem maior risco de induzir dependência do que um produto ingerido ou aspirado).

Síndrome de dependência

Um diagnóstico definitivo de dependência deve usualmente ser feito somente se três ou mais dos seguintes requisitos tenham sido apresenta dos durante a maior parte do tempo, no período de um ano:

1. forte desejo ou compulsão para consumir a substância;
2. dificuldades em controlar o comportamento de consumir a substância em termos do seu início, término ou níveis (quantidade) de consumo;
3. estado de abstinência fisiológico quando o uso da substância cessou ou foi reduzido, evidenciado por: síndrome de abstinência característica para a substância, ou o uso da mesma substância com a intenção de aliviar ou evitar esses sintomas de abstinência;
4. evidência de tolerância, em que quantidades crescentes da substância psicoativa são requeridas para alcançar os efeitos originalmente produzidos por doses mais baixas;
5. abandono progressivo de prazeres ou interesses alternativos em favor do uso da substância psicoativa; aumento da quantidade de tempo necessário para obter ou consumir a substância ou para se recuperar de seus efeitos;
6. persistência no uso da substância, a despeito de evidência clara de
consequências manifestamente danosas.

Em muitos casos, a própria razão que levou o sujeito a se tornar dependente de uma droga foi uma tentativa de alívio dos sintomas de um transtorno mental, por exemplo. Os quadros mais frequentemente associados ao uso abusivo de drogas são os transtornos afetivos (sobretudo depressão), transtornos de ansiedade (incluindo pânico e fobia social), transtornos cognitivos (sobretudo o transtorno do déficit de atenção) e as psicoses.

O que é dependência?
Dependência é o impulso que leva a pessoa a usar uma droga de forma contínua (sempre) ou periódica para obter prazer.

Alguns sujeitos podem também fazer uso constante de uma droga para aliviar tensões, ansiedades, medos, sensações físicas desagradáveis, entre outras justificativas. O dependente caracteriza-se por não conseguir controlar o consumo de drogas, agindo de forma impulsiva e repetitiva.

Com os medicamentos existentes atualmente, a maioria dos casos relacionados à dependência física podem ser tratados. Por outro lado, o que quase sempre faz com que uma pessoa volte a usar drogas é a dependência psicológica, de difícil tratamento e que habitualmente não pode ser resolvida de forma relativamente rápida e simples como a dependência física.

Na dependência, o usuário utiliza a droga geralmente de forma frequente e excessiva, com prejuízos dos vínculos afetivos e sociais. Não consegue parar quando quer. Quando se instala a dependência, a pessoa não consegue largar a droga por duas possíveis razões:
a. porque o organismo acostumou-se com a substância, e sua ausência provoca sintomas físicos (quadro conhecido como síndrome da abstinência); e/ou
b. porque a pessoa se habituou a viver sob os efeitos da droga, sentindo um grande impulso a usá-la com frequência (em geral descrito como “fissura”.

Overdose: dose excessiva de uma droga, com graves implicações físicas e psíquicas, podendo levar à morte, geralmente por parada respiratória e/ou cardíaca.

FONTE:
Curso Prevenção dos Problemas Relacionados ao Uso de Drogas: Capacitação para Conselheiros e Lideranças Comunitárias - 6ª edição, promovido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da Justiça (SENAD-MJ) e executado pelo Núcleo Multiprojetos de Tecnologia Educacional da Universidade Federal de Santa Catarina (NUTE-UFSC).

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